Diego Moura/Estadão
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Queda na renda pode levar a aumento na busca por emprego

Na avaliação do IBGE, principalmente os jovens são afetados pela piora no mercado de trabalho; na faixa dos 18 aos 24 anos, taxa de desemprego saltou para 17,1% em junho

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2015 | 11h29

RIO - A queda no rendimento real das famílias brasileiras pode estar levando mais pessoas a buscar emprego, especialmente jovens, afirmou nesta quinta-feira, 23, a técnica Adriana Beringuy, da Coordenação de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho, a Pesquisa Mensal de Emprego mostrou uma dispensa de 298 mil pessoas em relação a igual mês do ano passado, mas o contingente de desempregados aumentou quase em dobro. Ao todo, 522 mil pessoas engrossaram as filas por um trabalho.

"No ano passado, havia crescimento da população não economicamente ativa, associada a taxas de desocupação mais baixas e também crescimento da renda. Agora, neste ano, já temos uma queda significativa na renda", explicou Adriana. No mês passado, apesar de um crescimento de 0,8% na renda média real em relação a maio, houve perda de 2,9% ante junho do ano passado, a quinta retração seguida neste confronto, segundo o IBGE.

"Boa parte da renda do domicílio vem do trabalho, e se renda está diminuindo, essa redução pode estar levando pessoas antes na condição de inativos a ir ao mercado de trabalho para recompor esse rendimento domiciliar", disse a técnica. "E vimos que quem mais exerce pressão hoje são os jovens de 18 a 24 anos", acrescentou.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego, que era de 12,3% em junho do ano passado, saltou a 17,1% em junho de 2015.

Tendência. O ano de 2015 tem se caracterizado pela interrupção do processo de queda no desemprego visto em anos anteriores, disse. "Além de taxas de desemprego mais elevadas, elas estão assumindo uma tendência de crescimento. A realidade é bem diferente de 2014, que era de um mercado de trabalho estável", afirmou.

taxa de desemprego subiu a 6,9% em junho deste ano, a maior desde junho de 2010, segundo o IBGE. Na comparação interanual, o avanço se deu porque houve corte de vagas e mais de 500 mil pessoas saíram às ruas para buscar trabalho.

"O aumento ocorreu devido ao crescimento muito importante e muito elevado da população desocupada, compartilhado com queda na ocupação", contou Adriana. "O crescimento da desocupação está sendo abastecido por aqueles que perderam emprego e passam a pressionar mercado, mas também pode estar sendo provocado por pessoas que antes não estavam procurando trabalho e agora passam a pressionar o mercado buscando emprego."

Em junho, a desocupação cresceu 44,9% em relação a junho do ano passado. Já a população ocupada diminuiu 1,3% no período, segundo o IBGE. Para Adriana, a principal fonte de pressão é a população de jovens entre 18 e 24 anos.


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