Queda na taxa Selic não foi decisão unânime do Copom

A redução em 0,25 pontos porcentuais da meta da taxa Selic não foi uma decisão unânime dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). De acordo com a ata da reunião da semana passada, divulgada esta manhã, três dos oito diretores foram contrários à redução de 19% ao ano para 18,75% ao ano para a meta da taxa Selic. De acordo com a ata, parte dos membros do Copom interpretou os cenários interno e externo, incluindo a queda recente da inflação, como "evidência suficiente" para confirmar a projeção de queda da inflação em direção à trajetória de suas metas. "Outros membros, no entanto, consideraram que esses sinais são preliminares e que ainda há necessidade de uma maior consolidação do cenário econômico que poderá ocorrer no futuro próximo", revela a ata. Ainda de acordo com o documento, os diretores do BC concluíram que com as informações disponíveis até a data de realização da última reunião do Copom (nos dias 19 e 20 de fevereiro) a política monetária deveria mirar numa inflação entre 4% e 4,5%, dentro do intervalo da meta de 2002. "Como a projeção do Copom está em torno do limite inferior desse intervalo, em princípio, a política monetária poderia ser flexibilizada", afirma a ata. A meta inflacionária para este ano é de 3,5%, com margem de variação de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Os diretores do BC frisam ainda, no documento, que na medida em que a política monetária opera com defasagens, suas decisões devem considerar não somente a evolução passada das varáveis relevantes, mas "essencialmente" o seu comportamento futuro. ?Inércia inflacionária?Os diretores do BC avaliam que parte da inércia dos choques vividos pela economia brasileira em 2001 não serão eliminados este ano. "Em função da magnitude dos choques de oferta ocorridos em 2001, o Copom entende que o prazo apropriado par se eliminar a inércia herdada pode se estender além do ano calendário", afirmam. Pelas estimativas do BC, essa "inércia inflacionária" - fruto da parte da inflação do ano passado que excedeu à meta estabelecida pelo governo - deve contribuir com mais 0,7 pontos porcentuais para a variação do IPCA em 2002. "Parte dessa inércia será eliminada em 2003", reforçam os membros do Copom no texto da ata. Além disso, o documento revela que as projeções feitas pelo BC apontam para uma inflação em torno de 4% este ano. Essa projeção inclue, além da inércia inflacionária, a contribuição para o IPCA do efeito primário do choque proporcionado pelo aumento dos preços administrados por contrato e monitorados. Segundo estimativas do BC, o choque de preços administrados contribuirá em até 0,5 ponto porcentual da variação do IPCA este ano. "Assim sendo, o desvio entre a inflação projetada e o centro da meta para 2002 é aproximadamente equivalente à contribuição do choque primário dos preços administrados por contrato e monitorados", afirmam os diretores do BC. O texto da ata explicita, entretanto, que os diretores do BC acreditam que este desvio "não deve ser necessariamente" corrigido pela política monetária. Isso porque a política monetária, na opinião dos membros do Copom, deve ser orientada no sentido de eliminar "apenas" o efeito secundário dos choques de oferta sobre a inflação, preservando o realinhamento inicial dos preços relativos. Os diretores do BC enfatizam ainda que a administração do sistema de metas para a inflação requer do Copom "um esforço de entendimento e quantificação" dos vários choques inflacionários de forma a se "calibrar adequadamente" a política monetária.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.