Queda nas tarifas reduz competitividade da energia solar e pode retardar leilão

Redução altera a competitividade da fonte solar no curto prazo e pode retardar realização de leilão de energia solar, segundo diretor EPE

Luciana Collet, da Agência Estado,

20 de setembro de 2012 | 16h07

SÃO PAULO - A redução das tarifas de energia, decorrente da renovação das concessões e corte dos encargos setoriais, altera a competitividade da fonte solar no curto prazo e pode retardar a realização de um leilão de energia solar, segundo o diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) Amilcar Guerreiro. Ele salientou, porém, que as condições de inserção desta fonte na matriz energética nacional permanece para os próximos anos.

"É claro que, com a redução das tarifas, a energia solar perde um pouco a competitividade, mas as condições de inserção permanecem válidas, porque há uma tendência estrutural de queda do custo dos painéis fotovoltaicos", comentou, após participar da conferência "O Futuro Solar: Brasil", que se realiza hoje em São Paulo.

Durante sua apresentação no evento, ele citou estudo feito pela EPE sobre o potencial solar do Brasil, que mostrou que atualmente já existem áreas de concessão de distribuição com tarifas mais altas que o custo do MWh solar estimado, o que poderia estimular, principalmente, projetos de geração distribuída, ou seja, pequenas unidades localizadas perto das áreas de consumo. Vale ressaltar, porém, que o levantamento foi feito sem levar em consideração a prevista redução da tarifa e novos cálculos deverão ser feitos.

Ainda conforme o estudo, no caso de grande projetos de geração solar, o custo da energia solar fotovoltaica ainda é muito elevado, da ordem de R$ 405 por megawatt-hora (MWh), significativamente superior ao preço médio obtido no último leilão de energia nova, realizado em novembro do ano passado, da ordem de R$ 100/MWh. Mesmo considerando medidas como redução da taxa de juros dos financiamentos e incentivos fiscais, sugeridos pela EPE ao Ministério de Minas e Energia, a geração centralizada de energia solar teria custo de R$ 302/MWh.

Leilão

Questionado por participantes da conferência sobre a possibilidade de realização de um leilão exclusivo para a fonte solar, para estimular sua inserção, Guerreiro disse que "a redução de tarifa pode retardar um pouco" e indicou que, como os custos da energia solar estão caindo, "é o tempo de amadurecer", sinalizando que o desenvolvimento da energia solar deveria ser iniciado pela geração distribuída.

Quando perguntado, depois, por jornalistas, se teria sido adiado o plano de realização de um leilão solar em 2013, como havia sido sinalizado pela EPE, o executivo disse apenas que também é necessário levar em consideração o mercado consumidor. "Este ano, o consumo vinha morno e agora é que sinaliza que vai melhorar", comentou.

Queda no custo

O diretor presidente da Solarplaza, empresa holandesa organizadora do evento, destacou, em sua apresentação, que grande parte das maiores fabricantes de painéis fotovoltaicos está enfrentando um período difícil, tendo em vista a crise europeia, com perspectiva de mais quatro anos em situação similar. "Os preços estão entrando em colapso, a queda no preço da energia solar caiu 50% no último ano", comentou.

Ele ponderou, no entanto, que com nos novos patamares de preço haverá oportunidade de atrair novos mercados. "Leva-se de três a quatro anos para se desenvolver um mercado", disse.

Mas Guerreiro sinalizou que essa queda, em grande parte observada em decorrência de uma crise econômica, pode ter deixado o preço em um valor abaixo do que deveria estar, e se configuraria em uma situação transitória. "Mas também é verdade que o desenvolvimento do mercado e de novas tecnologias também reduz os custos, há uma redução estrutural, mas talvez não no nível que vemos hoje."

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