Queda nas vendas leva montadoras ao governo

Presidente da Anfavea diz ao ministro Mantega que medidas de contenção do consumo deram resultado e pede que novas medidas não sejam adotadas

Renata Veríssimo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

As montadoras querem que o governo evite a adoção de novas medidas de contenção do consumo. O apelo foi feito ontem pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo o executivo, a menor oferta de crédito e a desaceleração da economia este ano já reduziram o ritmo de vendas do setor.

"Viemos mostrar a ele (Mantega) que as medidas adotadas em dezembro passado estão dando efeito no mercado. O ritmo de crescimento do nosso setor está diminuindo", afirmou Belini. "Queremos que, pelo menos, não coloquem mais medidas."

No fim do ano passado, o Banco Central adotou um pacote de medidas - chamadas de macroprudenciais - para segurar a inflação e reduzir o ritmo de expansão da economia. Houve a elevação do volume de dinheiro que os bancos precisam manter no BC, o que reduziu o dinheiro em circulação, e aumentou a exigência de capital das instituições financeiras para empréstimos.

Segundo Belini, que integrava uma caravana de dez carros com diretores e assessores da Anfavea, o crescimento do setor deixará de ser de dois dígitos em 2011. A previsão é que as vendas de automóveis cresçam 5% em relação a 2010. "Na produção, talvez não seja isso. Não se sabe ainda porque tem muito aumento dos importados."

O ritmo das vendas continua em queda. Segundo dados apurados pela Agência Estado, até ontem foram emplacados em todo o País 195.264 veículos, nacionais e importados - média diária de 13.947 unidades, considerando os 14 dias úteis do período. Os números indicam um recuo de 3,7% em relação à média de vendas diárias em maio, que foi de 14.482 veículos. Em abril, esse número era ainda maior: 15.220 unidades vendidas por dia.

Apesar da desaceleração, o aumento ainda é expressivo porque a base de comparação é forte. No primeiro trimestre de 2010, as vendas foram elevadas porque o consumidor antecipou as compras para aproveitar os últimos meses de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que voltou ao nível normal em abril do ano passado.

"O mês não fechou ainda. Não dá pra fazer qualquer julgamento porque no fim do mês ocorrem muitas promoções que podem melhorar as vendas. Esperamos que melhore", disse Belini. Ele lembrou que o setor contribui com 23% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e com 5% do índice de crescimento da economia nacional. "São cerca de 200 mil empresas ligadas ao nosso setor e mais de 1,5 milhão de pessoas em toda a cadeia produtiva." / COLABOROU SILVANA MAUTONE

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