ALBERTO CESAR ARAUJO/ESTADÃO-12/8/2010
ALBERTO CESAR ARAUJO/ESTADÃO-12/8/2010

Queda nas vendas leva Zona Franca a cortar 15 mil vagas

Redução de 10% nas vendas de eletroeletrônicos, motos e itens de informática e altos estoques provocam paralisia nas empresas

Márcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

10 Maio 2015 | 03h00

 A queda de quase 10% nas vendas do primeiro bimestre está paralisando as fábricas da Zona Franca de Manaus, especialmente de eletroeletrônicos, motos e itens de informática, que são o grosso da indústria local. Com estoques altos, as empresas ajustam a produção ao ritmo fraco de negócios, com demissão e férias coletivas.

Entre dezembro e março, foram eliminados 15 mil postos de trabalho nas indústrias de Manaus, segundo o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Wilson Périco. O último dado divulgado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) aponta que existiam 115 mil trabalhadores no polo. Mas, segundo Périco, esse número já está perto dos 100 mil.


Só no mês passado foram cortados 3,4 mil trabalhadores, nas contas dos sindicatos de metalúrgicos e dos trabalhadores na indústria do plástico. No primeiro quadrimestre foram demitidos 8.870 metalúrgicos, 4,3% a mais do que no ano anterior. Samsung, LG, Whirlpool e Moto Honda encabeçam a lista das empresas que mais enxugaram os quadros no período.

“Em Manaus não temos demissões fora da sazonalidade, que é normal na produção de aparelhos de ar-condicionado no período”, afirma Armando E. Valle Junior, vice-presidente da Whirlpool, responsável pela unidade de Manaus, que fabrica aparelhos de ar-condicionado, micro-ondas e lava-louças.

Férias. Ele admite, no entanto, que a empresa acumula três meses de estoques de aparelhos de ar-condicionado. No caso de micro-ondas, as vendas estão inferiores às de 2014. Seguindo a sazonalidade e também para reduzir os estoques, a empresa deu férias coletivas de 20 dias a 2 mil trabalhadores desde o dia 1º. Também deve retardar para setembro a contratação de temporários que seria em julho, conta Valle Junior.

A Samsung é outra indústria que programou férias coletivas de dez dias para algumas linhas de produção da unidade de Manaus no mês que vem. Segundo Mario Laffitte, vice-presidente de assuntos institucionais, a medida é um expediente normal da empresa. Quanto às demissões, que segundo o sindicato somaram 563 entre janeiro e abril, o executivo diz que a empresa manteve o nível de emprego porque também contratou no período.

Para evitar mais demissões, Périco, do CIEAM, conta que cerca de 8 mil trabalhadores do polo industrial de Manaus devem entrar em férias coletivas a partir deste mês. Entre as empresas que vão usar essa alternativa para enxugar os estoques estão, segundo ele, Electrolux, Panasonic, LG, Moto Honda e Yamaha.

A Panasonic confirma as férias coletivas entre maio e julho a uma parcela dos funcionários. Mas a empresa pondera que essa parada “ocorre anualmente”. Também o corte de trabalhadores ocorrido neste ano está dentro do “padrão normal de rotatividade da empresa”.

A coreana LG não confirma as férias coletivas, mas admite que “dispensou funcionários de algumas áreas ao longo dos últimos meses para adequar a produção à demanda de mercado”. Segundo o sindicato foram 458 demissões.

A Yamaha informa que não faz parte dos planos da companhia paralisar a produção de Manaus este mês. Mas, em abril, entre os dias 9 e 30, a empresa interrompeu a fabricação de quatro linhas de produtos por sete dias úteis para “adequar a produção à demanda do mercado”, informa a companhia.

No caso da concorrente Moto Honda, o diretor executivo Paulo Takeuchi diz que está acompanhando o movimento do mercado e ajustando a produção de acordo com a demanda. No primeiro quadrimestre, a produção de motos caiu 10%. Em relação às demissões, que somaram 375 entre janeiro e abril, segundo o sindicato, ele diz que os “desligamentos voluntários não têm sido repostos”. A Electrolux não comentou.

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