Queda no barril do petróleo terá vida curta, diz Petrobras

A Petrobras aposta que a queda internacional do valor do barril de petróleo terá vida curta. É nessa justificativa que o diretor de Abastecimento e Refino da estatal, Paulo Roberto Costa, se apóia para argumentar que a empresa não deve mexer nos preços da gasolina e do diesel no mercado interno no curto prazo. "Ninguém pode definir se (o barril) vai chegar a US$ 40 ou a US$ 80. Existem as condições climáticas, as condições geopolíticas. Hoje o barril tem preços menores do que o estimado", comentou o executivo."Daqui a dois ou três meses, já será um outro problema, de calor nos Estados Unidos, por exemplo. Ninguém tem bola de cristal. Eu não acredito que ocorra queda substancial. Mas se eu tivesse definição clara, eu teria condições de ganhar valores maiores do que a Mega Sena", completou, referindo-se à principal justificativa para a queda atual, o inverno menos rigoroso no hemisfério norte.Indagado sobre o fato de analistas de mercado terem calculado que a gasolina está 40% mais barata no País do que nos Estados Unidos, Costa disse apenas que "esta diferença não tem base nenhuma e não tem ligação com os cálculos da Petrobras".O executivo lembrou que a Petrobras manteve os preços enquanto as cotações internacionais estavam em alta, dentro da política de avaliar o mercado no longo prazo. "Se for estabelecido um novo patamar, se houver valores diferentes do que praticamos, faremos ajustes. Achamos que até esse momento não há necessidade disso", disse.Segundo o diretor, a mesma avaliação não se repete com relação aos preços de outros combustíveis, que estão baseados em "contratos que têm fórmulas diferenciadas, mas que têm base no mercado internacional"."No início de janeiro já tivemos uma redução no preço da Nafta e pelo comportamento do preço de petróleo em janeiro, a tendência é de termos um novo ajuste para baixo. Há uma expectativa, mas ainda não temos o porcentual. Isso deve acontecer também para o Querosene de Aviação (QAV) e para o Óleo Combustível, para os quais também adotamos fórmulas de reajustes mais constantes", afirmou.RefinoO diretor disse também que o aquecimento do setor petrolífero nos últimos anos, principalmente em decorrência do aumento do valor do barril de petróleo, acabou puxando para cima o valor do aço usado nos empreendimentos. Essa é, segundo ele, a causa da elevação dos investimentos que serão feitos pela estatal no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e na Refinaria de Abreu e Lima, a ser construída em parceria com a PDVSA, no Porto de Suape.O custo do Comperj passou de US$ 6,5 bilhões para US$ 8,5 bilhões, e o da Refinaria de Pernambuco, de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões. "Houve um aquecimento na indústria petrolífera no mundo todo com a alta do preço de petróleo. No mercado de sondas, por exemplo, houve uma elevação avassaladora de preços de afretamento e existem hoje sondas sendo construídas no mundo todo. Isso puxa para cima o preço do aço, e conseqüentemente o valor dos projetos", explicou.Ele considerou, no entanto, que os investimentos ainda não estão fechados. "Esperamos que no momento em que formos efetivar o empreendimento, os custos mundiais do aço já estejam mais equilibrados", comentou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.