Queda no emprego informal pode indicar fechamento de vagas em geral

A empresa primeiro demite o trabalhador informal para depois reduzir suas vagas como um todo, avalia o IBGE

Vinicius Neder, Franciso Carlos de Assis e Renan Carreira, da Agência Estado,

24 de julho de 2013 | 12h36

SÃO PAULO E RIO - Se a taxa de desemprego de junho, de 6,0%, pode ser considerada estável, a redução no número de trabalhadores informais, sem carteira assinada, é preocupante e pode ser um prenúncio de fechamento de vagas como um todo, na avaliação do gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Na comparação com maio, o pessoal ocupado sem carteira assinada apresentou recuo de 2,8%. Ante junho de 2012, diminuiu 9,9%.

Já o pessoal ocupado com carteira assinada registrou altas de 0,4% na comparação com maio e de 3,2% em relação a junho de 2012. "É mais fácil acabar com o trabalho informal. A empresa demite primeiro o trabalhador informal. Pode ser o prenúncio de uma redução de vagas em geral", afirmou Azeredo, em entrevista coletiva no Rio de Janeiro.

Demissões no quarto trimestre. O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, disse que a alta da taxa de desemprego de 5,8% em maio para 6% em junho se deveu mais à "acomodação" das contratações do que a aumento de demissões. Segundo ele, no entanto, dada a forte deterioração das expectativas em relação à economia brasileira, não se pode descartar o início de um processo de demissões. "Isso deve ocorrer mais para o quarto trimestre do que agora", afirmou.

Reversão do pleno emprego. O aumento da taxa de desemprego em junho em 0,2 ponto porcentual para 6% em relação a maio, quando a taxa ficou em 5,8%, marca o início de um processo reversão da situação de pleno emprego no País, avalia o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.

O movimento não o surpreende, disse o economista, porque ele já esperava por esse movimento. A MB, de acordo com Vale, previa uma taxa de 6,1% para o desemprego e m junho. "É o início de um período de desemprego cuja taxa no final do ano deverá ficar em torno de 5,8%", disse o economista.

Ainda de acordo com o economista, acabou o período de consolidação de queda do desemprego, movimento que deverá atravessar os próximos três anos na esteira da continuidade da deterioração das condições econômicas internas e externas. 

"Nesse ano, a situação que já estava ruim ficou ainda pior por causa da mini crise de junho marcada pelos manifestos nas ruas e que desmontaram projetos de investimentos no Brasil e jogaram a expectativa de crescimento do PIB de 2,5% para 2%", disse Vale. 

O pior, de acordo com o economista-chefe da MB Associados, é que os protestos deverão continuar no próximo ano, coincidindo com o momento em os Estados Unidos estarão implementando a retirada dos programas de estímulos à economia norte-americana denominados de Relaxamento Quantitativo (QE, na sigla em inglês) e aumentando a taxa básica de juros. Isso tudo levará os investidores deixarem as economias emergentes para investir nos EUA. 

Pesa ainda contra a expansão do emprego no Brasil os fatos de 2014 ser um ano eleitoral, o mau desempenho da economia e manifestações que já colocaram no cenário a clareza de que haverá segundo turno na eleição presidencial. 

De acordo com Vale, não se sabe ainda quem será o concorrente de Dilma no segundo turno e, por isso, o investidor deverá adotar a posição de esperar para ver, colocando em compasso de espera projetos de investimentos. "Mesmo que a oposição ganhe, ela vai precisar de fazer os ajustes na economia que Dilma não fez e isso levará a mais um ano de paralisação. Ou seja, poderemos ter em 2015 uma recessão que para o emprego não será nada bom", disse Vale.

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