Ricardo Prado/Divulgação
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Queda no IBC-Br reforça projeção de baixa de 2% no PIB em 2015, diz consultoria

Desaceleração da economia brasileira deve seguir por mais um ano e meio, segundo diretor de pesquisa econômica da GO Associados

Gustavo Porto e Maria Regina Silva, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2015 | 12h43

O diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, avalia que as quedas no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) - de 1,07%, em março ante março de 2014, com ajuste, e de 0,81% no primeiro trimestre do ano ante o último trimestre do ano passado - mostram que o período recessivo está vindo um pouco mais forte que o imaginado pela consultoria. "Já trabalhamos com uma projeção de queda no Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 de 2%, ante uma estimativa anterior de 1,2%", disse Silveira.

Caso as projeções se concretizem, Silveira lembra que o recuo da economia brasileira só não será maior que o da Rússia este ano, entre as principais economias mundiais. "Os sinais de forte desaceleração em todos os setores já começam a se concretizar e ainda ocorrem em um cenário de inflação e juros altos, dificuldade para exportação e problemas pontuais de inadimplência", afirmou. "Essa desaceleração ainda deve seguir por mais um ano e meio", completou.


Silveira, no entanto, avalia que um contraponto ao fraco desempenho da economia brasileira vem do mercado financeiro. A alta recente na Bolsa, por exemplo, é um exemplo desse cenário mais otimista desse mercado, fruto, segundo ele, da condução feita pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Mesmo com a queda (da economia), o mercado financeiro faz leitura favorável da economia. Em que pese o mergulho profundo (dos indicadores econômicos), os investidores ainda têm leitura favorável do mercado brasileiro, porque existe a percepção de que economia está sendo bem conduzida, se procura gerar um superávit primário e uma melhora das contas públicas."

Juros. O avanço na taxa de desemprego e a queda do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) surpreenderam negativamente e reforçam a percepção de fraqueza da economia no primeiro trimestre, de acordo com o Barclays. Os dados também sugerem um aumento de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic na reunião de junho, em vez de alta de 0,50 ponto, segundo relatório assinado por Bruno Rovai, economista para Brasil do banco em Nova York.

"No entanto, isso contrasta com um discurso razoavelmente 'hawkish' (conservador) de um membro do Copom recentemente, de que o BC está inclinado a manter o ritmo de aperto na próxima reunião (em junho)", disse, em referência às sinalizações do diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira em reuniões fechadas com economistas nesta semana, conforme apurou o Broadcast, serviço de informações da Agência Estado.

De acordo com o Barclays, o avanço do desemprego para 6,4% em abril ante 6,2% em março foi impulsionado principalmente pelo aumento do número de pessoas desempregadas, em conjunto com o crescimento da força de trabalho ativa. Isso significa, segundo o banco, que mais pessoas estão à procura de emprego, mas não necessariamente estão encontrando. "Mais importante, os salários reais continuam a diminuir, levando a massa salarial real, para baixo de 3,6% (na comparação com abril de 2014)", escreveu Rovai.

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