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Queda no lucro ameaça investimento da Petrobrás

Cronograma de 2011 e 2012 está garantido; problema pode vir depois, diz fonte da empresa

RENÉE PEREIRA, DAVID FRIEDLANDER, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2011 | 03h05

A previsão de forte queda no lucro da Petrobrás no terceiro trimestre acendeu sinal de alerta em relação à capacidade de a empresa tirar todos os projetos do papel dentro do cronograma estabelecido. No período 2011/2015, o plano de investimentos da estatal vai exigir recursos da ordem US$ 224 bilhões. Mas, até mesmo internamente, há uma preocupação com o futuro.

Segundo uma fonte da empresa, a capitalização feita no fim do ano passado, de R$ 120 bilhões, garante os investimentos deste ano e de 2012. Os problemas podem surgir a partir dessa data. Com o caixa cada vez mais afetado pela defasagem dos preços da gasolina e do diesel em relação à cotação do mercado internacional, a empresa teria de recorrer a novos empréstimos e captações, especialmente no mercado externo, para executar o plano de investimentos.

"Qualquer impacto no caixa da estatal preocupa, pois seu cronograma de investimento é muito pesado. Seria salutar que ela conseguisse elevar cada vez mais a geração de caixa", afirma Maurício Pedrosa, sócio da gestora Queluz. Mas, segundo ele, está ocorrendo o contrário. Além de não reajustar os preços dos combustíveis desde 2009, a empresa ainda foi obrigada a aumentar o volume de importação para compensar a redução do etanol na gasolina.

Refinarias. Outro fator que incomoda os analistas são os investimentos em refino, que tem rentabilidade menor que a de exploração e produção. Hoje a estatal tem quatro projetos de refinarias no Brasil - as primeiras erguidas desde o início da década de 80. Já estão em construção o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Além disso, a companhia tem outros dois projetos de refinarias premium no Ceará e no Maranhão. "O problema é que a agenda de investimento do Petrobrás é a agenda de investimento do governo", critica o analista da Ativa Investimentos, Ricardo Correa.

Ele acredita que a estatal será obrigada a fazer novas captações no ano que vem para fazer frente aos investimentos, seja no pré-sal, refinarias ou em demais setores, como o de etanol.

Uma outra saída incluída pela Petrobrás no plano de investimento, diz Correa, é a venda de ativos de outras áreas não prioritárias para a empresa. "No total, a Petrobrás tem projetos de R$ 9 bilhões que ela poderá se desfazer nos próximos anos. Há alguma gordura para queimar, o que é uma boa notícia."

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