Queda no lucro das empresas têxteis deve reduzir investimentos

O recuo no lucro de grandes empresas têxteis brasileiras pode levar a um recuo nos investimentos neste ano. Desde meados da década de 1990, o setor investe cerca de R$ 1 bilhão ao ano, em média. A projeção inicial para 2005 repetia o montante, mas, segundo o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, é grande a possibilidade de os investimentos caírem neste ano. Ele preferiu não adiantar de quanto será a eventual queda nos investimentos.Segundo a entidade, o resultado das empresas já demonstra um enfraquecimento no desempenho do setor. A Coteminas, por exemplo, anunciou ontem recuo de 11,49% no lucro do segundo semestre ante o mesmo período do ano passado, para R$ 29 milhões.Já a Vicunha Têxtil registrou prejuízo líquido de R$ 17 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 9,2 milhões apurado em igual período de 2004. Na mesma base de comparação, a fabricante de brim e dênin Santista Têxtil fechou o segundo trimestre com queda de 95,72% no lucro líquido, de R$ 14,081 milhões no ano passado, para R$ 602 mil em 2005.Impacto do câmbioSegundo o diretor da Abit, o setor vem sofrendo forte impacto do câmbio, que ao mesmo tempo inibe as exportações e estimula as importações. A forte concorrência com produtos chineses e os juros em alta também impactam as vendas no mercado interno.O setor têxtil vem pressionando o governo para regulamentar as salvaguardas contra importação de produtos chineses. A adoção desse mecanismo protecionista foi anunciada em maio, mas até agora não saiu do papel.Na sexta-feira passada, o secretário executivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho, disse à Agência Estado que há desacordo sobre o texto entre os ministérios que formam a Câmara de Comércio Exterior (Camex), e que não há como prever quando a medida será regulamentada.

Agencia Estado,

16 de agosto de 2005 | 15h22

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