Queda no preço das commodities acentua perdas na Bovespa

Principal índice da Bolsa cai quase 3%, com ações da Petrobras e da Vale dando forte contribuição negativa

Agência Estado,

19 de março de 2008 | 14h02

Uma onda de vendas concentrada nas duas grandes representantes do setor de commodities, Petrobras e Vale, refletindo o movimento de queda no preço das commodities lá fora, empurrou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para as mínimas do pregão. Às 14h22, o principal índice caía 2,92%, ameaçando ficar novamente abaixo dos 60 mil pontos, enquanto em Nova York a desvalorização era mais contida, não passava de 1%.    Veja também: Resultado do Morgan Stanley é melhor que o previsto 'Crise é 30 vezes maior que a de 1998', diz Lula Depois de corte de juros nos EUA, Bovespa fecha na máxima  Juro americano cai para 2,25% e Fed sinaliza novas reduções  Petróleo fecha perto de US$110 com corte de juro do Fed Cronologia da crise financeira    As ações de Petrobras derretiam quase 4,5%, mesmo porcentual de desvalorização registrado pelo petróleo negociado na Nymex, e as da Vale registravam queda superior a 4,5%, com volume expressivo de negócios, equivalente a um terço do total movimentado pela Bolsa às 14 horas, de R$ 3,5 bilhões.   Após terem disparado nos últimos dias com o recrudescimento da turbulência financeira, as commodities estão devolvendo parte da alta, o que está por trás desse tombo da Bovespa. O ouro caía 4% no início da tarde, negociado na faixa de US$ 974 a onça troy, depois de ter sido negociado na faixa de US$ 1.100 a onça troy no início da semana. A prata registrava queda de 5% também no início desta tarde.   E o petróleo deslizava 4,04% em Nova York, com os investidores vendendo contratos diante da percepção de que, ao cortar o juro em 0,75 ponto, o Fed estaria agora mais preocupado com a inflação do que em estimular o crescimento da economia. E, para o setor de commodities, isso pode representar um risco.   "Esse desmonte de posições nas commodities metálicas pode se arrastar por dois ou três dias. Normalmente, esse tipo de movimento costuma demorar um pouco, porque o investidor não consegue se desfazer as posições de uma vez", diz o gestor gerente da Infinity Asset, George Sanders.   Ele acrescenta que esse desmonte de posições nas commodities pode ser interpretado como um bom sinal, na medida em que mostra que os investidores no exterior podem estar se sentindo um pouco mais confortáveis para voltar a aplicar em renda variável, apesar do sinal negativo das bolsas norte-americanas e européias nesta quarta. Mas para o Ibovespa, que tem uma concentração forte, de 32%, de papéis do setor, incluindo Petrobras, Vale e Bradespar, sem considerar as siderúrgicas, o impacto é muito ruim.   Inflação   Por outro lado, uma queda nos preços das commodities teria um efeito benigno para a inflação, a grande preocupação dos bancos centrais ao redor do mundo, inclusive o brasileiro. Isto se esse movimento de baixa nos preços dos metais e do petróleo se sustentar no longo prazo. Mas, do jeito que o mercado financeiro está volátil, é difícil fazer qualquer prognóstico, mesmo para os especialistas. O medo de que a crise no mercado de crédito faça novas vítimas entre os bancos mantém os investidores ainda muito cautelosos.

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