Queda no preço dos metais não interfere nos planos da Vale

A queda livre nos preços dos metais não vai interferir nos planos de investimento da Companhia Vale do Rio Doce no setor. Segundo o diretor de Assuntos Corporativos da mineradora, Tito Martins, o movimento atual é fruto apenas de um ajuste nas cotações futuras dos produtos negociados em bolsas de mercadorias e futuros no exterior e não deve se traduzir em perda de rentabilidade para as empresas do ramo."O que está acontecendo é mais um ajuste nos mercados futuros do que no mundo real", explicou. Apesar do cenário otimista, Martins acredita que o período de calibragem nos preço ainda deve permanecer por mais alguns dias.Para analistas, grande parte dessa queda livre é causada pelo ajuste anual que os "hedge fund" (fundos mais especulativos) fazem em suas carteiras para se adequar ao índice Dow Jones-AIG de Commodities, da Bolsa de Nova York. Os investidores estão buscando reduzir as aplicações em "commodities" que subiram muito em 2006 e buscar os metais que tiveram rentabilidade abaixo do média.Nos últimos anos, a Companhia Vale do Rio Doce vem ampliando a participação dos metais na geração de caixa da mineradora. A compra da segunda maior produtora mundial de níquel no final do ano passado, a canadense Inco, seguiu essa premissa.O níquel é particularmente afetado pela mudança no índice Dow Jones-AIG de Commodities por ter contabilizado uma valorização de cerca de 110% frente o preço praticado no ano anterior.MinérioJá o cenário para os negócios com minério de ferro são mais favoráveis. Em dezembro, a companhia fechou com as siderúrgicas asiáticas um reajuste de 9,5% para os preços dos contratos em 2007. Segundo Martins, o aumento refletiu o aquecimento da demanda mundial. O patamar obtido pela mineradora brasileira ficou próximo ao teto das previsões dos analistas, que variaram entre 5% e 10%. O diretor preferiu não fazer previsões sobre novos aumentos de preços. No entanto, admitiu que o mercado asiático vem impulsionando o crescimento do setor nos últimos anos. As negociações para 2007 trouxeram uma novidade. Esta foi a primeira vez que a Vale fechou primeiro acordos sobre preço com as siderúrgicas chinesas e só depois conseguiu concluir os entendimentos com as gigantes européias. A alta de 9,5% conseguida este ano vem depois de um impressionante aumento de 71,5% em 2005 e de 19% no ano passado. Ou seja, no acumulado dos últimos três anos, o preço do minério de ferro já subiu mais de 120%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.