Wilton Junior/AE
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Quedas de energia persistem no Rio e Aneel pressiona Light

Agência determina que a empresa forneça relatórios diários sobre o fornecimento em sua área de concessão

Kelly Lima e Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

27 de novembro de 2009 | 14h27

Diante dos constantes mini-apagões que tem acontecido na região metropolitana do Rio de Janeiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que a Light apresente relatório com a justificativa para a falta de luz até as 17 horas do dia que ela ocorra. Segundo a assessoria de imprensa da Aneel, esta obrigatoriedade continua tendo prazo de 48 horas para todas as demais distribuidoras. O prazo mais apertado só valera para a Light, devido às constâncias de falta de luz no Rio. A nova regra já valerá a partir desta sexta.

 

A Light informou nesta sexta uma lista atualizada dos lugares no Rio que ainda estão sofrendo com a interrupção de fornecimento de energia elétrica. Entre os pontos que sofrem com a falta de luz estão trechos de rua nos bairros de Santa Cruz, Pedra de Guaratiba, Jardim Oceânico (Barra), Jacarepaguá, Deodoro e Campo Grande, na zona oeste do Rio; e Caju, na zona portuária do Rio. Também passam por problemas de falta de luz trechos das ruas Mem de Sá e Gomes Freire, no centro do Rio; na Rua Artur Neiva, em Caxias, na Baixada Fluminense; e trechos de rua no município de Nova Iguaçu, também na Baixada Fluminense.

 

Ainda de acordo com a empresa, não há previsão específica para o restabelecimento da energia nestes pontos isolados. A Light atende 31 municípios do estado, um universo em torno de 3,9 milhões de clientes.

 

Segundo o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Nelson Hubner, pelas primeiras análises técnicas sobre o relatório apresentado pela Light, "não há como não multar a empresa". "A penalidade existe para ser aplicada", disse, destacando que dentro de duas semanas a agência reguladora deverá emitir um parecer com o valor a ser cobrado da empresa. Segundo Hubner, o pagamento da multa não será destinado ao Tesouro, mas a benefícios do consumidor de energia. Ele não explicou, porém, como isso poderia ocorrer.

 

Nesta sexta, o vice-presidente executivo e de Relações com Investidores da Light, Ronnie Vaz Moreira, afirmou que o programa de investimentos da empresa para 2010 deve somar R$ 700 milhões. "Aumentaremos os investimentos no próximo ano em razão da aceleração dos investimentos em geração". Para este ano, a meta da companhia é investir entre R$ 560 milhões e R$ 570 milhões, volume ligeiramente superior aos R$ 547 milhões apurados em 2008. 

 

"Plano Verão"

 

O diretor disse ainda que a Aneel já está cobrando da Light a apresentação de um "Plano Verão" com as principais medidas que deverão ser tomadas num curto prazo para "evitar que os consumidores fiquem no sufoco". Entre as medidas, ele citou a troca de transformadores de baixa potência na região da Baixada Fluminense, que estariam aquém da capacidade de atendimento na região.

 

Segundo ele, também foi exigido que seja montado um planejamento de longo prazo para que a companhia melhore a cobertura de sua rede. Hubner disse que faltou um maior acompanhamento da Light sobre sua rede, o que fez com que a companhia não percebesse que estava próxima do limite de sua capacidade de atendimento. "A empresa argumenta que o mercado estava estabilizado há anos e cresceu de repente. Não podemos aceitar isso. Ela tinha que ter mais controle sobre isso", comentou.

 

De acordo com Hubner o "verão antecipado" no Rio pode ter agravado o problema. "A Light vem investindo em sua rede, mas ao que parece, os investimentos foram insuficientes", disse o diretor da Aneel, em entrevista coletiva após o leilão de linhas de transmissão no Rio.

 

(com Wellington Bahnemann, da Agência Estado)

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