Coluna

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Quedas gêmeas na balança comercial

ANÁLISE: José Augusto de Castro

O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2015 | 02h02

A balança comercial brasileira fecha 2014 com déficit, o primeiro desde 2000. Os seguidos saldos positivos permitiram ao País acumular expressivo volume de reservas internacionais e superar a vulnerabilidade do balanço de pagamentos. O saldo negativo foi de US$ 3,9 bilhões, resultado que é o pior desde 1998 (-US$ 6,6 bilhões). Os números divulgados ontem apontam para quedas gêmeas nos dois lados da corrente de comércio. As exportações atingiram US$ 225,1 bilhões e as importações US$ 229 bilhões, sendo que as exportações caíram mais (-7,0%) que as importações (-4,4%). A soma de exportações e importações, que, em 2013, tinha crescido 3,4% em relação à de 2012, em 2014 sofreu queda de 5,7% em relação ao ano anterior.

O aprofundamento da crise na Argentina e Venezuela e o ritmo lento de expansão da economia global formam o pano de fundo do resultado, que só não foi pior graças ao aumento das exportações para a Europa Oriental (9,7%) e, sobretudo, para os EUA (9,2%), cujo intercâmbio poderia ter crescido ainda mais se a política externa fosse mais pragmática e menos ideológica, como defende a AEB.

Para 2015, a projetada desvalorização do real deverá ter impacto positivo sobre as exportações de manufaturados, mas não será capaz de impedir a redução do ingresso de divisas com as commodities, devido à queda de suas cotações, ainda que possa ampliar o faturamento em reais dos exportadores - ganho que será minimizado pela continuidade dos fatores negativos que vimos este ano.

Em vista desse cenário, a AEB estima que a balança de 2015 continuará a apresentar quedas gêmeas, mas atingindo um superávit na casa de US$ 8 bilhões, um "superávit negativo" obtido com menor corrente de comércio - com queda de 4,3% nas exportações e de 9,8% nas importações. Nossa esperança é que os novos ministros da área econômica consigam implementar políticas em favor da expansão dos negócios com os polos realmente dinâmicos da economia mundial.

PRESIDENTE DA AEB

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