Queiroz Galvão desiste por causa da tarifa baixa

Divergências sobre o valor ofertado em cima da hora pelo consórcio Norte Energia, vencedor do leilão, teriam causado a insatisfação da construtora

Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

A oferta do consórcio Norte Energia foi decidida em cima da hora, já dentro da área de confinamento imposta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), contou à Agência Estado o presidente da Chesf, Dilton da Conti. Divergências sobre o valor ofertado, porém, podem provocar uma baixa entre os investidores: insatisfeita com o resultado das negociações, a construtora Queiroz Galvão teria anunciado sua saída.

"Os sócios discutiram e chegaram ao valor em consenso (R$ 77,97 por megawatt-hora) já bem na hora de apresentar a proposta", disse Conti. Ele frisou que houve consenso entre todos os sócios na definição do valor, mas o presidente do consórcio, José Ailton de Lima, anunciou que a Queiroz Galvão estaria saindo do grupo. "(A empresa) pode não ter ficado satisfeita com nossa proposição", afirmou. Mais tarde, o presidente da Chesf disse esperar que a companhia reavalie sua posição.

"Dizer que vai sair não significa que de fato vai deixar de assinar o contrato. Ela está na SPE (Sociedade de Propósito Específico) que venceu o leilão e está comprometida com essa assinatura. Durante esse período terá condições de avaliar melhor as condições e ver se mantém ou não a parceria", afirmou. "Houve discordâncias, mas isso é natural em consórcios."

Conti afirmou que seria uma grande perda para o consórcio se a Queiroz Galvão confirmar a desistência. Perguntado sobre a possibilidade de Camargo e Odebrecht entrarem na construção da usina, ele apenas disse que o grupo vai buscar as empresas mais competentes e com maior conhecimento do projeto.

Procurada, a Queiroz Galvão não comentou o assunto. O consórcio Norte Energia foi anunciado na última sexta-feira, fruto de um esforço do governo para garantir competição no leilão, que havia perdido dias antes um consórcio formado pelas construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht. Também circulou no mercado a informação que a J. Malucelli também teria desistido. Mas, até no início da noite de ontem, o vice-presidente da empresa, Alexandre Malucelli, afirmou que estava muito feliz com o resultado e negou os boatos.

A postura agressiva do grupo Norte Energia surpreendeu os concorrentes. "O valor já era justo e eles ainda deram um desconto superior a 5%", comentou o diretor de Investimentos da Previ, Fábio Moser. A Previ participou do consórcio Belo Monte Energia, por meio das controladas Vale e Neoenergia. Ele não quis analisar a viabilidade do projeto pela tarifa vencedora. Conti foi categórico na defesa da tarifa. "Temos o compromisso de fazer a empresa ser rentável. Não faríamos a obra se não tivesse retorno." /COLABORARAM MÔNICA CIARELLI, CÉLIA FROUFE, GERUSA MARQUES E RENÉE PEREIRA

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