Quem ajusta o dólar é o mercado, não o presidente, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu, nesta terça-feira, 20, às críticas que são feitas à valorização do câmbio, dizendo que "o dólar quem vai ajustar é o mercado, não o presidente da República".Lula também defendeu a política de juros adotada pelo Banco Central para controlar a inflação. "Os juros podiam cair mais, mas as pessoas esquecem a quanto estavam os juros há quatro anos", afirmou. Em discurso na inauguração de um complexo da Perdigão, na cidade de Mineiros, em Goiás, o presidente voltou a afirmar que o Brasil vive o melhor momento econômico desde a Proclamação da República: "Não existe momento, na História da República, em que a economia tenha tido tantos fatores positivos, fatores esses que nos dão certeza de que o Brasil encontrou o seu caminho."Ao falar do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula afirmou que as medidas nele previstas consolidam um momento positivo que o País vive. "Não tem, na História do Brasil, nenhum programa com a seriedade do PAC. E o PAC é apenas o começo de um novo momento."ImportaçãoLula defendeu uma ampliação das compras brasileiras de produtos dos países para os quais exporta. Pouco antes, em discurso na mesma cerimônia, o governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP), havia reclamado das "dificuldades" impostas pela Rússia à entrada de carnes brasileiras naquele país. "Nós reivindicamos tanto que a Rússia compre nossa carne, mas não compramos nada da Rússia. Precisamos comprar alguma coisa deles", disse o presidente. "É preciso manter um equilíbrio na balança comercial, e isso é que dá justeza no comércio internacional." Lula citou também como exemplo de relação comercial que precisa de equilíbrio a do Brasil com a Venezuela, pois, segundo ele, o Brasil tem hoje, nessa relação, um superávit de US$ 2,5 bilhões. "Chega uma hora em que isso cria problema, e nós precisamos comprar alguma coisa (da Venezuela)", disse o presidente. Da produção do complexo da Perdigão inaugurado por Lula, 80% destinam à exportação.Além disso, o presidente da Perdigão, Nildemar Secches, pediu, em discurso, providências do governo federal no sentido de ampliar a eficiência dos serviços de vigilância sanitária no País para impedir doenças no rebanho brasileiro. Lula, em resposta, afirmou que é preciso "co-responsabilizar (pelas doenças, como a aftosa) a pessoa que tem a doença no seu rebanho." CanaO presidente também elogiou os produtores de cana do País: "Os produtores de cana, que há dez anos eram considerados bandidos, estão virando heróis nacionais e mundiais", declarou.

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