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Quem apostar no fracasso do Brasil vai perder, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um recado direto aos grandes investidores e empresários internacionais presentes à palestra no Council on Foreign Relations. "Quem apostar no fracasso do Brasil vai perder, porque nós, brasileiros, já perdemos muitas oportunidades no passado e não vamos perder mais uma oportunidade. O Brasil está consciente do jogo que tem de ser feito e vamos adotar as medidas que têm de ser feitas, com a ajuda de Deus, dos amigos e, por que não, de vocês", disse Lula, dirigindo-se aos empresários e investidores. Na primeira fila da platéia estavam presentes o megainvestidor húngaro George Soros, o lendário investidor norte-americano David Rockefeller e o ex-secretário do Tesouro norte-americano e atual presidente do comitê executivo do Citigroup, Robert Rubin. "O Brasil não nasceu para ser a vida inteira um país emergente. Não vamos jogar essas chances fora", reiterou o presidente.Lula disse estar confiante em que a economia brasileira voltará a crescer e que a inflação estará sob controle. Ele disse, brincando, que esperava que o risco país, ao invés de cair de 2.400 pontos base no ano passado para 700 pontos base atualmente, já estivesse em zero, porque "não há mais risco no Brasil". ?Não podemos ficar culpando os países ricos pela nossa miséria", disse Lula. Segundo ele, os países da América do Sul não têm que ficar reclamando dos seus problemas. "A culpa é nossa, das nossas elites e dos nossos governos, que não fizeram as coisas que tinham de ser feitas há 50 anos. O Brasil, por exemplo, não fez a redistribuição de renda quando a sua economia apresentava as maiores taxas de crescimento do mundo; não erradicamos o analfabetismo e nem fizemos a reforma agrária quando deveríamos. Agora temos de correr atrás do prejuízo", disse o presidente.Lula reiterou à platéia sua confiança em que, até o final de novembro, as reformas da Previdência e tributária estejam aprovadas no Congresso. E disse que, depois disso, o governo passará a trabalhar em outras reformas importantes, como a reforma política, da legislação trabalhista e da estrutura sindical.Contribuição dos investidores estrangeirosO presidente pediu aos investidores que voltem a aplicar no País. "Espero que os investidores internacionais possam dar sólida contribuição para a retomada dos investimentos produtivos no País", disse Lula, informando que já no próximo dia 26 de outubro haverá uma reunião com empresários alemães, em Goiania, para tratar de investimentos em infra-estrutura. O presidente comentou o sucesso do leilão anteontem das linhas transmissões de energia elétrica, que resultarou na perspectiva de investimento de US$ 1,8 bilhão. Ele espera maior atração de investimento na área de energia elétrica e prometeu a definição do marco regulatório nos próximos 15 dias. Indagado por um dos participantes da palestra sobre as mudanças nas agências reguladores, Lula reafirmou que em razão do esvaziamento dos ministérios no governo anterior as agências assumiram um papel político e não simplesmente de fiscalização. "A concessão é do governo e dos ministérios. A agência somente deve regular e fiscalizar. Não pode ser ao mesmo tempo concessionária e fiscalizadora", afirmou o presidente.Controle dos gastos públicosEm um momento em que demonstrou sua espontaneidade na palestra aos investidores hoje em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma defesa da austeridade orçamentária ao comparar a administração que faz das contas do País com a administração do orçamento da sua casa. Ele contou que, depois que teve o primeiro filho, teve "outro, mais outro, mais outro e mais outro". "Aí eu percebi que a receita ficou a mesma, mas os gastos aumentaram. Daí, a solução foi cortar os meus gastos. Deixei de ir a restaurantes, a tomar as coisas que eu gosto", disse o presidente num tom de bom-humor que chegou a despertar risos da platéia de grandes investidores.Lula contou que, quando assumiu o governo, descobriu que o orçamento deixado pelo governo anterior estava superestimado em R$ 14 bilhões e que depois descobriu que precisava fazer cortes adicionais de R$ 10 bilhões. "Tivemos de fazer uma redução de gastos de R$ 24 bilhões. Então decidi agir como se estivesse governando a minha própria casa, pois lá eu e a Marisa só compramos um bem material quando temos certeza de que temos dinheiro para isso", afirmou. Ele disse que no governo também terá de ser assim, apesar do descontentamento de muitos ministros. "Todo mundo quer mais dinheiro: os ministros, os deputados e os empresários. Agora ninguém diz de onde tirar este dinheiro. Como decidimos não mais elevar impostos, não há milagre. Temos de trabalhar com o que temos", afirmou. Lula relatou ainda que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, havia lhe dito para não se preocupar, pois cada um real na mão do novo governo equivaleria a dois reais na mão do governo anterior. "Então pensei: tenho o dobro do orçamento que pensava ter, o problema é que ainda estou esperando este milagrre da multiplicacão que o Palocci falou", disse o presidente.

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