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'Quem banca a política econômica é a Dilma, não o ministro da Fazenda', diz Wagner

Chefe da Casa Civil reagiu com ironia ao ser questionado sobre o fato de ter seu nome apontado como possível substituto de Levy

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2015 | 11h04

BRASÍLIA - Diante do clima de despedida do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou nesta sexta-feira, 18, que cabe à presidente Dilma Rousseff definir quais caminhos serão adotados na política econômica do País.

"Quem banca a política econômica não é o ministro da Fazenda. Quem banca a política econômica é a presidenta da República e ela convoca o ministro para cumprir", disse. A intervenção da presidente nas decisões da equipe econômica tem sido uma das mais frequentes críticas do mercado em relação ao governo Dilma.

Jaques evitou confirmar a substituição do ministro, mas disse que Dilma foi informada do tom de despedida que Levy usou na reunião do Conselho Monetário Nacional de quinta-feira.

Questionado sobre qual nome seria o ideal para assumir o cargo e se o governo precisa de um ministro mais político do que Levy, conhecido pelo seu perfil técnico, Wagner desconversou. "Eu não gosto muito dessa separação político e técnico, porque eu brinco sempre: um técnico puro que for um elefante em cristaleira, em seis meses cria muito problema para o governo. E uma seda entre cristais que não resolva nada não resolve a vida do governo", disse.

Wagner afirmou ainda que a missão de Levy de aplicar as medidas do ajuste fiscal não foi "uma tarefa fácil" e, por isso mesmo, o "mensageiro tem que ser jeitoso". "Mas eu não quero fazer nenhum juízo de valor sobre o ministro Levy", emendou.

O ministro também voltou a afirmar que caberá a Dilma decidir quais são os próximos passos da economia. "Se a presidente entender que está na hora de modular o ajuste, é decisão pessoal dela", disse.

Wagner não comentou sobre os possíveis nomes cotados para assumir a pasta, como o atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, e reagiu com ironia ao fato de o seu nome ter sido apontado como um dos substitutos de Levy. Ao sair de uma reunião na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, disse que havia pedido a "benção" dos padres já que soube pela imprensa que havia sido indicado para o cargo.

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