Quem chegou lá aponta o caminho

Um grupo de pequenos empresários consegue demonstrar, na prática, que consolidar parcerias com grandes corporações ajuda, e muito, a alavancar os negócios. Mais do que isso: esse grupo conseguiu melhorar seu patamar no mercado.

O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h12

Um desses felizes empreendedores é Marcelo Yeiri Marinho, dono da CPF Parafusos, de Aracaju. A empresa era um pequeno comércio que atendia seus clientes no segmento de fixadores. A partir de 2007, o negócio ingressou no programa de encadeamento produtivo do Sebrae. E tudo mudou.

De lá para cá, o empreendimento sextuplicou seu resultado financeiro e faturou R$ 6,8 milhões no ano passado. A razão para o crescimento foi uma mudança radical, a empresa deixou de ser comércio para transformar-se em indústria. A recomendação foi feita pela Petrobrás. A multinacional já era cliente do negócio e sugeriu que Marinho participasse do programa mantido pelo Sebrae.

"Participamos de um workshop da empresa, ela pretendia mapear as necessidades dos fornecedores. Uma delas era a de termos fabricação própria", conta Marinho. O empresário empregou R$ 400 mil na transformação e hoje sua produção é de 20 mil toneladas. "Tínhamos apenas o objetivo de sobreviver. Hoje, 80% das nossas vendas são para outros estados", analisa Marinho.

A Soma Usinagem, que fabrica componentes mecânicos para processo de usinagem em Lafaiete (MG), também colheu frutos interessantes ao aderir ao programa de encadeamento. A oportunidade surgiu a partir de um convite, feito ainda em 2011 pela Gerdau.

O primeiro benefício para a pequena empresa foi aprimorar a organização. "Viramos a empresa do avesso", lembra Renato Henriques Serafim, proprietário da Soma. Isso ocorreu, segundo ele, porque o apoio e a consultoria que recebeu lhe possibilitaram enxergar suas deficiências. "A empresa era como um guarda-roupas, íamos colocando (as roupas) para dentro, mas precisávamos organizá-las." O ganho principal, no entanto, foi em gestão. "Melhoramos recursos humanos, marketing, sustentabilidade, negociação e apuração de resultados."

A empresa, conta Serafim, reduziu em 40% seus custos mensais e obteve ganhos também na produtividade dos funcionários. "Reduzimos horas extras e também o absenteísmo, que passou de 10% para 3%", conta o empreendedor.

Atualmente, o principal desafio da empresa é reduzir o nível de dependência da Gerdau, que durante muito tempo foi o único cliente do pequeno empreendedor. "Ganhamos visibilidade e, com isso, novos clientes", explica Serafim, que conduziu o negócio a um faturamento, no ano passado, de R$ 3,2 milhões.

A exposição que apenas uma parceria com o grande negócio permite também ajudou muito Ozório Rezende Correia Filho, dono da Pred Engenharia, de Vitória (ES). A empresa desenvolveu um software que promete reduzir em até 25% o custo de manutenção para seus clientes - o negócio ingressou no programa do Sebrae a convite da Vale. "Foi um divisor de águas", define Rezende. De 2012 a 2013, o faturamento do empreendimento aumentou 78%, chegando a R$ 3 milhões.

A Petrobrás, que ajudou a CPF Parafusos, também beneficiou outro pequeno negócio, a Jevin. A empresa aluga rádios para comunicação das equipes nas plataformas de extração de petróleo e ainda realiza projetos para implantação do sistema de comunicação via satélite. Há 15 anos, a estatal era responsável por 90% do faturamento do empreendimento. Hoje, esse porcentual é de 20% - a Jevin faturou R$ 24 milhões em 2013.

As parcerias também funcionam no comércio. A fazenda Direto da Serra, de Mogi das Cruzes (SP), faturou pouco mais de R$ 9 milhões em 2013, quase metade (47%) veio da produção de orgânicos para a rede Pão de Açúcar. A parceria começou em 2004, mas ganhou importância quando o negócio passou a produzir itens para a marca própria do grupo, a Taeq.

Empresários contam

como atendem bem

negócios do porte

da Petrobrás, Vale

e Pão de Açúcar

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