Valdenio Vieira/PR
Brasil é uma 'potência' e precisa de 'um sistema de inteligência robusto', disse Bolsonaro. Valdenio Vieira/PR

'Quem decide sobre 5G sou eu', diz Bolsonaro sobre disputa entre EUA e China por tecnologia

Presidente disse conversar com especialistas e autoridades do Brasil e dos EUA para escolher a empresa mais qualificada para fornecer a tecnologia; governo americano quer chinesa Huawei longe do País

Julia Lindner, Nicholas Shores e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 21h46

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta quinta-feira, 3, que é ele quem vai decidir sobre o fornecimento da tecnologia para o 5G no Brasil. Bolsonaro disse que conversa com diversas autoridades sobre o tema, entre elas integrantes do governo americano. "Vou deixar bem claro, que vai decidir 5G sou eu. Não é terceiro, ninguém dando palpite por aí, não. Eu vou decidir o 5G", disse Bolsonaro durante transmissão semanal nas redes sociais.

Segundo Bolsonaro, o Brasil é "uma potência" e precisa ter "um sistema de inteligência robusto para poder trabalhar ali na frente". Ele também afirmou que não vai decidir sozinho sobre o assunto e que consulta ministros do governo e até integrantes do governo americano sobre o tema. O leilão do 5G no Brasil, previsto para o ano que vem, é palco de disputa tecnológica entre Estados Unidos e China

A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao 4G. Em ambiente controlado, as redes 5G podem ter velocidades de até 1 gigabit por segundo (Gbps). Assim, permite um consumo maior de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. Além disso, promete reduzir para menos da metade a latência, tempo entre dar um comando em um site ou app e a sua execução – dos atuais 10 milissegundos para 4 ms. Em algumas situações, a latência poderá ser de 1 ms, importante, por exemplo, para o desenvolvimento de carros autônomos.

"Não é da minha cabeça apenas. Eu converso com o general Augusto Heleno, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Converso com o (Alexandre) Ramagem, chefe da Abin. Converso com o Rolando Alexandre, que é diretor-geral da Polícia Federal. E com mais inteligências do Brasil, com gente mais experiente. Converso com o governo americano. Converso com várias entidades, países, o que temos de prós e contras", declarou.

Em agosto, o subsecretário de Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente do Departamento de Estado americano, Keith Krach, afirmou que o plano do governo americano batizado de "Clean Network" (em português, redes limpas), que deixa a chinesa Huawei de fora da estrutura de redes de tecnologia 5G "não estará completo sem o Brasil".

Ao Estadão, Krach disse que os EUA estão "prontos para ajudar de qualquer forma para garantir uma tecnologia 5G aberta, inovadora e confiável" no Brasil. "Temos tido conversas com o governo brasileiro e acho que estão indo muito bem. Esperamos que nossos parceiros brasileiros se juntem a nós na Clean Network, que não estará completa sem o Brasil. É o país mais poderoso da América Latina e tem sido um grande amigo dos EUA", afirmou.

Preços

A pressão crescente do governo americano para restringir a presença da chinesa Huawei no mercado de telecomunicações, no entanto, preocupa as operadoras que atuam no Brasil, que veem risco de concentração no fornecimento de equipamentos, aumento de preços e limitação de tecnologia.

Como mostrou o Estadão, as operadoras consideram que, sem a companhia chinesa, o mercado brasileiro pode ficar com apenas dois grandes fabricantes de equipamentos – a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia. Na prática, isso se traduziria em menor competição e alta nos custos de operação, que seriam repassados aos consumidores, dizem as teles.

Hoje, os produtos da Huawei são vistos pelas operadoras como baratos e de boa qualidade, revertendo a imagem negativa de 20 anos atrás, quando a fabricante desembarcou no Brasil com itens que deixavam a desejar.

Atualmente, a Huawei tem contratos com Vivo, TIM, Claro e Oi. Sua participação no mercado gira em torno de 40% a 50% se considerados apenas os equipamentos para a rede 4G, segundo empresários. E boa parte destes equipamentos já em operação serão aproveitados pelas teles para a implantação do 5G prevista para começar no ano que vem.

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Bolsonaro diz que Congresso 'talvez' estenda regras da reforma administrativa para outros Poderes

Segundo o texto original, proposta não se aplica a parlamentares, ministros de tribunais superiores, promotores e juízes; já os militares estão de fora porque possuem 'carreira diferenciada', disse o presidente

Julia Lindner, Nicholas Shores e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 22h26

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira, 3, que o Congresso "talvez" estenda o alcance da reforma administrativa para os outros Poderes.

"O Congresso vai analisar, vai alterar, vai estender para os outros poderes, talvez", afirmou o presidente durante transmissão semanal nas redes sociais. 

A proposta do governo vale para os futuros servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União, Estados e municípios. 

Os cargos de parlamentares, ministros de tribunais superiores, promotores e juízes, no entanto, ficam de fora das novas regras, por serem ocupados por membros de Poderes, que respondem a regras diferentes. Isso significa, por exemplo, que um juiz não poderá ser atingido, mas o servidor da área administrativa de um tribunal terá de obedecer às novas regras. 

O Ministério da Economia informou que o Poder Executivo não tem autonomia para propor mudanças de regras para membros de outros Poderes.

Bolsonaro voltou a enfatizar que a proposta não atinge os servidores que já estão trabalhando. "Já estou vendo um montão de órgão de imprensa falando besteira. Primeiro, não se aplica aos atuais servidores. Ponto final. É daqui pra frente. E não vou entrar em detalhes", disse.

Sobre o fato de militares não serem atingidos pela reforma, Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército, justificou que os integrantes das Forças Armadas possuem uma carreira diferenciada. 

"O pessoal militar, por exemplo. Se alguém quiser a previdência, tudo militar, está à disposição. Nós não temos hora extra, não temos Fundo de Garantia, não tem um montão de coisa. A estabilidade é com dez anos de serviço, não com três, está certo? Mas ninguém quer comparar nada não. É que o quadro de servidores encheu muito no Brasil, alguns prefeitos no passado mais que dobravam o efetivo de servidores, e a conta é alta para pagar", afirmou o presidente.

Bolsonaro lembrou que o gasto com o pessoal é o segundo maior nas contas públicas, atrás apenas da Previdência.  Em 2021, o governo federal deve gastar R$ 337,345 bilhões com salários e outros benefícios aos servidores. "Incluindo o servidor civil e os militares da União. É enorme".

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Bolsonaro diz esperar que a taxa básica de juros caia daqui um mês

No entanto, presidente disse que não interfere nas decisões do Banco Central; Selic já está em 2% ao ano, no menor patamar da história

Julia Lindner, Daniel Galvão e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 22h39

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta quinta-feira, 3, que espera uma queda da taxa básica de juros, a Selic, daqui a um mês. Na mesma fala, ele ponderou que não interfere nas decisões do Banco Central. "Espero que (a Selic) caia na próxima vez, espero, daqui a uns 30 dias", disse durante transmissão ao vivo que faz semanalmente em suas redes sociais.

No mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC avaliou que, se houver espaço para um novo corte na Selic, ele "deve ser pequeno". A informação consta na ata da reunião do grupo em que a taxa básica de juros caiu para 2% ao ano, o menor patamar da história. Ao reduzir os juros básicos, o BC estimula redução no custo de empréstimos e financiamentos e alta no crédito bancário.  

"A Selic está a 2%, ninguém nunca esperava acontecer isso no Brasil. Não foi no canetaço, não", disse Bolsonaro em transmissão semanal das redes sociais. Em seguida, ele afirmou que "não participa disso", que "não interfere", mas que fica feliz com o resultado. "Espero que caia na próxima vez, espero, daqui a uns 30 dias", emendou.

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