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Quem dita tendências

No século passado, era comum que tecnologias novas fossem adotadas primeiro por empresas e, depois de ganharem escala e terem seu preço reduzido, chegassem ao mercado. Isso aconteceu com computadores e telefones celulares, por exemplo. Mas, nos últimos anos, a tendência se inverteu, dando origem ao que alguns chamam de "consumerização da tecnologia da informação".

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2015 | 02h04

As pessoas passaram a ter smartphones muito melhores que os celulares oferecidos pelas corporações a seus funcionários. Os tablets chegaram às casas antes de serem adotados no ambiente de trabalho. Ferramentas de comunicação gratuitas da internet - como redes sociais e serviços de mensagem - têm mais recursos e são mais fáceis de usar do que as corporativas. O espaço na caixa do correio eletrônico pessoal é praticamente ilimitado, enquanto o e-mail do trabalho não consegue armazenar quase nada.

Isso fez com que empresas adotassem práticas como o Byod, sigla de Bring your own device (ou "traga o próprio equipamento"), em que os funcionários podem usar celulares e tablets pessoais também no trabalho. Um relatório da Deloitte, chamado TMT Predictions 2015, prevê que o cenário atual, em que o mercado de consumo dita tendências tecnológicas e as corporações correm atrás, vai começar a se inverter neste ano.

Algumas das tendências tecnológicas quentes devem ser lideradas por empresas, segundo a Deloitte. Um exemplo são os computadores vestíveis - como óculos e relógios inteligentes - que têm potencial de ser adotados em setores como segurança e saúde, em que os profissionais precisam ter as mãos livres. Outros são os drones, pequenos aviões não tripulados cada vez mais demandados na agricultura e na inspeção de terrenos e instalações. Entregas feitas por drones, como foi proposto pela Amazon, devem demorar um pouco mais. Devem ser vendidos 300 mil drones neste ano, fazendo com que o total de dispositivos no mercado alcance 1 milhão. A maioria será comprada por consumidores, mas as principais aplicações, de acordo com a Deloitte, serão empresariais.

A indústria tem investido muito mais em impressoras 3D do que os consumidores, principalmente na prototipagem de produtos. Neste ano, devem ser vendidas 220 mil em todo o mundo, gerando receita de US$ 1,6 bilhão. "Cerca de 80% desse valor vão ser gastos pelo mercado corporativo", diz Solange Carvalho, diretora da Deloitte.

A chamada internet das coisas, em que todos dispositivos passam a ser conectados, tem se tornado realidade antes nas empresas do que na casa das pessoas. A utilidade de se monitorar em tempo real o maquinário pesado, e de configurá-lo remotamente, é muito maior do que colocar em rede a geladeira ou máquina de lavar.

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