Quem especula com alta de juros é 'corneteiro', diz Bernardo

Ministro do Planejamento critica quem faz pressão para BC subir juros no País mas comemora redução nos EUA

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

31 de janeiro de 2008 | 11h50

O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, classificou de especulação a avaliação de analistas do mercado financeiro de que o Banco Central, na ata divulgada nesta quinta-feira, 31, deu um recado de que vai aumentar a taxa básica de juros do País na próxima reunião, em março.  Ele chamou de "corneteiros" aqueles que fazem pressão para que o Banco Central brasileiro eleve os juros no Brasil, mas acha uma "maravilha" que o banco central dos EUA reduza os juros. "Eu vi gente do FMI dizendo que é bom aumentar os gastos", criticou Bernardo.  Ele disse que é preciso ter tranqüilidade para avaliar o quadro econômico e acrescentou que o Banco Central tem feito um bom trabalho na condução da política monetária no Brasil. E que o País está vivendo um momento excepcional.  O ministro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou para toda a equipe econômica que "cerre fileiras" para que não haja inflação e as metas sejam cumpridas. "Mas não dá para ficar esse monte de especulação", disse o ministro.  Ele disse que o BC vai continuar fazendo um bom trabalho, de forma tranqüila, e "os corneteiros continuarão falando", o que é democrático. Mas ponderou que não é possível sair correndo atrás de qualquer opinião que é emitida. "O Banco Central que tem a atribuição sabe o que vai fazer", disse.  Bernardo acrescentou que sua opinião de espectador, e não de partícipe na decisão de política monetária, é de que a inflação no Brasil está contida. Segundo ele, a inflação de 2007, embora tenha ficado acima do valor esperado ao final do segundo semestre, fechou o ano abaixo da meta. E todas as previsões para 2008 e 2009 estão abaixo da meta. Crise Sobre a crise internacional, Bernardo enfatizou que "nada de ruim" aconteceu no Brasil, e lembrou que o problema não está aqui. "Por que temos que supor que vamos desmoronar?", questiona Bernardo.  O ministro disse que a crise mostrou que há problemas graves na economia mundial, mas o Brasil tem um quadro favorável com inflação contida e crescimento dos investimentos. Ele lembrou que o ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) vai fechar o mês em torno de US$ 4,5 bilhões, o que é muito positivo. Bernardo ponderou que é preciso acompanhar com atenção a crise e avaliou que a fixação de uma meta de inflação de 4,5% em 2009 e a manutenção dessa taxa em 2008, pelo Conselho Monetário Nacional, se mostrou acertada diante da crise internacional. Ele lembrou que o debate foi acalorado à época da decisão e que ele mesmo defendia a fixação da meta de 4%. "Isso mostra que eu tenho de seguir o Guido", afirmou. Bernardo admite que talvez ele tenha "cornetado" além da conta.

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