Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Quem ganha acima de R$ 6,5 mil por mês deve pensar em uma Previdência complementar desde cedo

Não investir em Previdência complementar por causa dos casos do Aerus, fundo de Previdência da Varig, e do Postalis, fundo dos Correios, equivale a não viajar de avião porque o Brasil teve três grandes tragédias aéreas nos últimos 30 anos

Fabio Giambiagi*, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2021 | 04h00

Em encontros anteriores com os leitores neste espaço, expliquei que não há como esperar no Brasil que o sistema no qual o INSS opera seja substituído por um sistema de capitalização. Não gostaria, porém, que isso fosse entendido como um desestímulo à formação de uma Previdência complementar pelas pessoas. Ao contrário, sou um entusiasta dela. Apenas é importante, como o nome indica, entender que ela é um instrumento, justamente, complementar à aposentadoria oficial.

O Brasil tem um sistema de aposentadoria, com base no regime do INSS, com um teto arredondado da ordem de R$ 6,5 mil. Alguém que ganha por mês R$ 7 mil talvez não tenha maiores incentivos para contribuir para uma previdência complementar. Porém, se a pessoa ganha R$ 13 mil, por exemplo, terá de pensar duas vezes antes de optar por não programar uma renda complementar futura, pois, ao se aposentar, na melhor das hipóteses, sua renda cairá para a metade. Ela sabe disso e está disposta a isso?

No país em que vivemos, as queixas que ouço, nas minhas palestras, associadas à desconfiança das pessoas em contribuir para a Previdência complementar, são sempre: os problemas com montepios nos anos 70 e os casos do Aerus, fundo de previdência da Varig, e do Postalis, fundo dos Correios. São casos nos quais, indiscutivelmente, o governo falhou ao não proteger os participantes e não evitar que grupos de pessoas tivessem prejuízos dramáticos, que infernizaram sua vida numa fase em que o apoio financeiro era tão importante.

Embora sensibilizado por esses casos – até porque um deles, por razões familiares, acompanhei de perto –, meu argumento em defesa da Previdência complementar se baseia em quatro pontos:

  1. o primeiro destes casos ocorreu há 50 anos, não guardando relação com a situação atual;
  2. Aerus e Postalis foram casos graves, mas foram 2 em 250 fundos. Não ter uma previdência complementar por esses problemas equivale a não viajar de avião porque o Brasil teve três grandes tragédias aéreas nos últimos 30 anos;
  3. o ambiente regulatório melhorou muito no Brasil nos últimos anos, com o aprimoramento dos órgãos de supervisão; e
  4. para quem aplica em PGBL e VGBL, esses receios não se aplicam e estas são alternativas que têm se consolidado com sucesso no mercado.

O Brasil tem um sistema de Previdência complementar sólido e esta é uma das áreas em que o País tem feito progressos nos últimos 25 anos. Quem ganha acima de R$ 6,5 mil por mês deve pensar nessas questões – preferencialmente, desde cedo. 

* ECONOMISTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.