Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Felipe Rau/Estadão
Venda de 100% dos Correios estudada pelo governo ainda precisa ser aprovada pelo Congresso. Felipe Rau/Estadão

Quem pode comprar os Correios? Empresas de logística e varejistas são as principais candidatas 

Segundo especialistas, grupos de e-commerce, varejo e de transporte de carga seriam maiores interessadas, mas companhias negam

Matheus Piovesana e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 19h41

A decisão do governo de fazer uma privatização total do capital dos Correios, sem divisões por região, gera uma dúvida no mercado: quem vai ficar com a estatal? Especialistas consultados pelo Estadão/Broadcast divergem, mas as bolsas de apostas envolvem empresas de varejo - setor em que a logística de entrega se tornou tão importante quanto a variedade de produtos ou o número de lojas - e empresas de logística pura, que prestam serviços para as varejistas ou para outros setores.

Segundo o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, o governo decidiu privatizar 100% do capital dos Correios. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast. Tanto o segmento de entrega de encomendas quanto o serviço postal, hoje um monopólio público, serão vendidos. A União não ficará com nenhuma ação da empresa. O modelo, porém, ainda precisa passar pelo Congresso.

Em 2010, a maior fonte de receita dos Correios era o envio de correspondências por empresas. Hoje, companhias e pessoas físicas enviam e recebem menos cartas, e compram muito mais pela internet. Os Correios já entregam boa parte dessas compras - empresas como o Mercado Livre têm parcerias com a estatal.

Essa proximidade coloca as varejistas entre as potenciais compradoras da empresa. "O potencial interesse seria de um e-commerce como a Amazon, uma empresa que faça essa logística de ponta a ponta, mas não como negócio principal", diz José Alves Neto, gestor da TRX Investimentos, que investe em galpões logísticos. "A capilaridade é fundamental, a proximidade das agências com o público. Talvez aí esteja o valor intrínseco (dos Correios)."

Desafios

Entretanto, os Correios carregam desafios tão grandes quanto sua presença geográfica, como o contingente de funcionários - até o ano passado eram cerca de 100 mil pessoas - e os prejuízos acumulados, que estavam em R$ 859 milhões no final de 2020. As dificuldades para "digerir" uma empresa com números tão expressivos podem afastar parte dos potenciais interessados.

Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), acredita que, entre as varejistas, as mais interessadas nos Correios poderiam ser companhias que já atingiram o patamar de ecossistemas de varejo consolidados, como a Amazon e a chinesa Alibaba. Ele avalia que varejistas como Magazine Luiza e Mercado Livre, nome importante no mercado brasileiro, ainda não estão nesse estágio."Seria uma operação maior do que a maturidade dessas empresas. Para qualquer uma delas, hoje, seria um salto", avalia. 

Segundo ele, haveria mais sentido numa compra por Mercado Livre e Amazon, que não têm o apoio das lojas físicas para chegar mais perto dos clientes. "Ainda assim, o 'match' (combinação) não é total", diz Terra.

Werner Roger, CIO e gestor da Trígono Capital, acredita que um cenário provável seria o da associação entre um nome de e-commerce e um de logística para comprar os Correios. "Um grupo que vejo como candidato é o Simpar. Seria interessante uma associação entre uma empresa com e-commerce e outra que faz o serviço de logística", diz ele. A Trígono detém investimentos na Simpar e na Movida, subsidiária do grupo.

Em nota, o Mercado Livre afirmou não ter interesse nos Correios, e que segue ampliando sua rede logística. "Entretanto, a empresa acompanha as discussões sobre a privatização da estatal e está aberta a contribuir com os agentes públicos para que o processo de privatização seja eficiente para o Brasil e para os nossos usuários", acrescenta em seu posicionamento.

A Amazon, que já havia negado a existência de conversas sobre uma possível compra dos Correios em setembro, disse em nota que "não comenta rumores e especulações".

Procurado, o Magazine Luiza também preferiu não comentar. A Simpar, que sinalizou publicamente interesse nos Correios no ano passado, não respondeu até a publicação desta nota.

A DHL, por sua vez, disse que não comenta sobre especulações de mercado sobre potenciais fusões e aquisições. "No momento, não temos planos para atingir o crescimento de nosso negócio postal por meio da participação no processo de privatização de outros serviços postais no exterior", complementou.

Já a FedEx escreveu em nota que monitora continuamente o mercado por oportunidades para expandir os negócios no Brasil e em outras regiões, mas, por política da empresa, não comenta especulações referentes à estratégia de negócio.

Em setembro do ano passado, o ministro das comunicações Fabio Faria havia dito que a varejista Magazine Luiza, a gigante do e-commerce Amazon, e as empresas de logística FedEx e DHL estariam interessadas

Faturamento

No ano passado, os Correios faturaram R$ 17,2 bilhões, com lucro de R$ 1,5 bilhão. Ao longo da última década, a estatal viveu altos e baixos em termos operacionais. Entre 2010 e 2020, as receitas cresceram um dígito todos os anos - exceto em 2017 e 2020, quando recuaram. Especialistas afirmam que, com a atual estrutura de capital, a empresa não tem como investir, e seria estrangulada pela concorrência com empresas privadas.

O impacto da pandemia se fez sentir no faturamento da estatal no ano passado, mas ajudou a consolidar a tendência que aponta seu possível futuro: a receita com correspondências caiu, e a de encomendas foi uma das poucas que subiram. A entrega dos pacotes, impulsionada pelo varejo online, já responde por mais da metade do faturamento dos Correios.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Privatização dos Correios deve ser feita por venda de 100% da estatal, diz secretário

Segundo Diogo Mac Cord, estudos mostraram que os investidores não querem ter a União como sócia relevante no negócio; governo quer que o leilão aconteça no primeiro trimestre de 2022, mas o Congresso ainda precisa aprovar o projeto de lei

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 11h31

BRASÍLIA - A privatização dos Correios planejada pelo governo federal deve envolver a venda de 100% da estatal, que hoje detém o monopólio do setor postal no Brasil (cartas e impressos). Para o leilão acontecer no primeiro trimestre de 2022, como planejado, o Congresso ainda precisa aprovar o projeto de lei que permite que a iniciativa privada atue em operações atualmente exclusivas dos Correios. 

Em março, o Executivo divulgou que a desestatização da empresa seria por venda total ou majoritária das ações. Após avanços nos estudos, o governo optou pela primeira opção, ao entender que não deve manter uma participação minoritária nos Correios, afirmou o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast

O formato ainda precisa ser formalmente aprovado pelos ministérios e pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo.

Mac Cord disse ao Estadão/Broadcast que, nos estudos sobre a desestatização, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concluiu que os investidores não querem ter a União como sócia relevante no negócio. O governo, por sua vez, já avalia que manter uma participação na empresa não seria positivo para o setor.

“O governo mudou a forma de atuação. Não achamos mais que seja relevante a União ter participação de 49% nas estatais, como o governo anterior achava. Acreditamos que o papel relevante do Executivo é na estruturação dos projetos, na abertura do mercado para o investimento privado, e na regulação, que vai garantir a universalização do serviço ou uma melhoria de qualidade”, disse o secretário.

Com isso, a estatal deverá ser privatizada por meio da venda de todos os ativos em conjunto com a concessão dos serviços de correspondência. A parte de encomendas, que hoje já não é monopólio público, não deve ser regulada.

O segmento postal precisa ser operado pela iniciativa privada por meio de concessão porque a Constituição estabelece que compete à União “manter o serviço postal e o correio aéreo nacional”. Ou seja, o que o projeto de lei que aguarda votação da Câmara faz é regulamentar de que forma o governo pode manter esses serviços por meio do setor privado. A solução encontrada foi o formato de contrato de concessão.

Enviada pelo Executivo em fevereiro, a proposta que permite a venda dos Correios já teve o regime de urgência aprovado pela Câmara e poderá ser votada nas próximas semanas. 

O presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL), disse que pretende colocá-lo em votação antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho. O projeto define que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também passe a regular os serviços postais.

Um dos argumentos do governo para vender os Correios é de que hoje existe uma incerteza quanto à autossuficiência e capacidade de investimentos futuros por parte da estatal, o que reforça a necessidade da privatização para que a empresa seja capaz de fazer investimentos da ordem de R$ 2 bilhões ao ano.

De acordo com o PPI, os estudos sobre a estatal finalizados em março mostraram que o mercado de correspondências está sob forte declínio, com a receita dos Correios em correspondências chegando a cair 28% em 2020 em relação a 2019. Por outro lado, o setor de encomendas tem apresentado um crescimento importante.

Tudo o que sabemos sobre:
CorreiosDiogo Mac Cordprivatização

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Aras diz que serviços postais e correio aéreo nacional não podem ser privatizados

Parecer enviado pelo procurador-geral da República ao STF vem no mesmo dia em que o Ministério da Economia anunciou a venda de 100% dos Correios

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 22h59
Atualizado 07 de julho de 2021 | 11h02

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Augusto Aras, considerou, em parecer enviado nesta terça-feira, 6, ao Supremo Tribunal Federal (STF), que é inconstitucional a privatização do serviço postal e do correio aéreo nacional por meio de projeto de lei, como o governo tenta no Congresso. Seria necessária a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). 

A posição foi publicada no mesmo dia em que o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da EconomiaDiogo Mac Cord, disse que o governo decidiu pela venda de 100% da da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Hoje também o presidente Jair Bolsonaro confirmou a ministros que vai indicar o advogado-geral da União, André Mendonça, à vaga de Marco Aurélio Mello ao Supremo Tribunal Federal (STF). Aras era a outra opção do presidente, que optou por um nome "terrivelmente evangélico".

Atualmente, a Constituição garante o monopólio do setor postal no Brasil (cartas e impressos). Para o leilão da estatal acontecer no primeiro trimestre de 2022, como planejado pelo governo, o Congresso ainda precisa aprovar o projeto de lei que permite que a iniciativa privada atue em operações hoje exclusivas dos Correios.

Na manifestação enviada à ministra Cármen Lúcia, Aras diz que o artigo 21 da Constituição não possibilita a prestação indireta dos serviços postais e do correio aéreo nacional. “A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT – até poderia ser cindida, com a desestatização da parte da empresa que exerce atividade econômica”, diz no parecer.

O segmento postal precisa ser operado pela iniciativa privada por meio de concessão porque a Constituição estabelece que compete à União “manter o serviço postal e o correio aéreo nacional”. Ou seja, o que o projeto de lei que aguarda votação da Câmara faz é regulamentar de que forma o governo pode manter esses serviços por meio do setor privado. A solução encontrada foi o formato de contrato de concessão.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) foi movida pela Associação dos Profissionais dos Correios (ADCap). A ação questiona diversas normas que tratam do serviço postal e da venda dos Correios. Ao se posicionar, Aras defende que o STF declare inconstitucionalidade parcial.

Em março, o Executivo divulgou que a desestatização da empresa seria por venda total ou majoritária das ações. Após avanços nos estudos, o governo optou pela primeira alternativa, ao entender que não deve manter uma participação minoritária nos Correios. O formato ainda precisa ser formalmente aprovado pelos ministérios e pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo.

Mac Cord disse que, nos estudos sobre a desestatização, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concluiu que os investidores não querem ter a União como sócia relevante no negócio. O governo, por sua vez, já avalia que manter uma participação na empresa não seria positivo para o setor.

“O governo mudou a forma de atuação. Não achamos mais que seja relevante a União ter participação de 49% nas estatais, como o governo anterior achava. Acreditamos que o papel relevante do Executivo é na estruturação dos projetos, na abertura do mercado para o investimento privado, e na regulação, que vai garantir a universalização do serviço ou uma melhoria de qualidade.” 

Tudo o que sabemos sobre:
Augusto ArasCorreiosprivatização

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O que sabemos sobre a privatização dos Correios?

O governo já entregou ao Congresso projeto que permite que a iniciativa privada assuma operações hoje tocadas pela estatal, que tem o monopólio dos serviços postais (cartas e impressos) assegurado pela Constituição

Amanda Pupo e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 15h00
Atualizado 06 de julho de 2021 | 14h32

BRASÍLIA - A Câmara pautou para votar este mês o projeto entregue em fevereiro pelo presidente Jair Bolsonaro que abre caminho para a privatização dos Correios. O texto prevê que a iniciativa privada assuma operações hoje tocadas pela estatal, que tem o monopólio dos serviços postais (cartas e impressos) assegurado pela Constituição.

O projeto também transforma a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), fundada em 1969, durante a ditadura militar, em sociedade de economia mista. Entenda como deve ser a privatização dos Correios.

O governo pode abrir caminho para a privatização sem mudar a Constituição?

O entendimento da área jurídica do governo é que sim. A avaliação é de que o artigo da Constituição segundo o qual compete à União “manter” o serviço postal não obriga a prestação direta pelo poder público. Por isso, um dos objetivos do projeto é regulamentar esse trecho da Constituição e assim permitir que a iniciativa privada assuma as atividades hoje operadas pelos Correios.

Aprovar uma mudança na Constituição exigiria quórum maior de apoio: três quintos na Câmara (308 de 513 votos) e no Senado (49 de 81 senadores).

O projeto, que precisa apenas de maioria simples para ser aprovado, prevê "a obrigatoriedade, por parte da União, de garantia da prestação do Serviço Postal Universal por meio de empresa estatal", mas "permite que os serviços prestados no âmbito do Sistema Nacional de Serviços Postais sejam explorados em regime privado."

Qual modelo de privatização o governo vai seguir?

De acordo com o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da EconomiaDiogo Mac Cord, a operação deve envolver a venda de 100% da estatal. Ele disse ao Estadão/Broadcast que, nos estudos sobre a desestatização, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concluiu que os investidores não querem ter a União como sócia relevante no negócio. O governo, por sua vez, já avalia que manter uma participação na empresa não seria positivo para o setor.

Quando o projeto foi entregue ao Congresso, em fevereiro, o governo citava como possibilidades a venda direta, venda do controle majoritário (ou seja, o governo deixa de ser o principal dono da empresa) e abertura no mercado de ações (o governo lança ações na Bolsa da empresa). 

Segundo o governo, hoje há uma incerteza quanto à autossuficiência e capacidade de investimentos futuros por parte da estatal, o que reforça a necessidade da privatização para evitar que os cofres públicos sejam responsáveis por investimentos da ordem de R$ 2 bilhões ao ano. 

Como fica o atendimento à população?

Hoje, 95% da população brasileira tem acesso aos Correios. De acordo com a secretária do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), Martha Seillier, em qualquer alternativa de desestatização adotada pelo governo não haverá desatendimento de cidades. A ideia, segundo ela, é trabalhar com o modelo "filé com osso": quem levar municípios mais rentáveis também terá que atender os que não dão lucro.

Quem tem interesse nos Correios?

No ano passado, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse, sem dar detalhes, que a varejista Magazine Luiza, a gigante americana do e-commerce Amazon e as empresas de logística estrangeiras DHL e FedEx estão interessadas na compra da estatal. Embora tenha dito cinco interessadas, o ministro citou nominalmente apenas quatro empresas. Mas não há nenhuma manifestação formal por parte dessas companhias sobre o negócio.

Qual é a situação financeira dos Correios?

A estatal acumulou prejuízo de R$ 3,943 bilhões entre 2013 e 2016, mas desde 2017 vem registrando resultados positivos nos balanços anuais. Boa parte do passivo da estatal se deve aos planos de Previdência, o Postalis, e saúde, o CorreioSaúde, dos funcionários. Ambos já foram alvo de denúncias de corrupção. O Postalis acumula quatro operações da Polícia Federal: Positus, Greenfield, Pausare e Rizoma que investigaram fraudes na gestão dos recursos.

Em 2020, com o aumento do e-commerce, a estatal teve lucro de R$ 1,53 bilhão, maior resultado nos últimos dez anos. A empresa fechou o ano passado com 98.101 funcionários. São 11.124 unidades de atendimento, sendo 6.071 agências próprias e 5.053 terceirizadas.

Por que o governo quer privatizar os Correios?

Para o Executivo, a necessidade de a iniciativa privada entrar na área se justifica pela rápida transformação digital do setor, que demanda elevados investimentos para que a empresa permaneça competitiva e melhore a qualidade dos serviços. Na visão do governo, por ser uma empresa pública, a estatal não conta com o dinamismo que o setor precisa atualmente, muito menos tem a União capacidade fiscal para suportar os investimentos por meio de aportes. Para o governo, essas dificuldades, aliadas ao alto nível de comprometimento das receitas dos Correios com despesas correntes, podem levar a empresa a uma situação de dependência de recursos do Tesouro Nacional, algo que a equipe econômica busca evitar com o projeto. 

Em outros países, os Correios são privatizados?

Além do Brasil, outros países como Estados Unidos, mantêm o monopólio dos Correios. O United States Postal Service (USPS) está entre os maiores empregadores dos Estados Unidos e goza de prestígio entre os americanos. O governo Donald Trump chegou a defender a privatização, mas não levou adiante.  Na Alemanha, o Deutsche Bundespost, ex-estatal do setor de correspondência, levou mais de uma década para ser privatizado. A venda, que começou na década de 1990, foi dividida em fases. Para garantir que a empresa se tornasse competitiva e que a oferta dos serviços fosse mantida em todo o país, foi feita uma liberalização regulada do mercado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.