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''''Quem tem colchão de US$ 160 bi não deve se preocupar''''

Presidente Lula descarta efeito negativo da crise no mercado imobiliário dos EUA na economia brasileira

Christiane Samarco, Tânia Monteiro, Renata Veríssimo e Lisandra Paraguassu, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a crise no mercado imobiliário dos Estados Unidos não vai afetar a economia brasileira. "Eu não estou preocupado com isto. Não vamos ser afetados", garantiu o presidente, em conversa descontraída no Palácio do Itamaraty, onde almoçou com o presidente do Benin, Boni Yaji. "Isso é problema dos Estados Unidos, dos bancos americanos. Não é meu", insistiu. Questionado sobre a alta do dólar, Lula desdenhou: "Não estou preocupado com o dólar a R$ 2. O dólar é flutuante e o que é importante é que a economia brasileira vive um momento de tranqüilidade enorme." O presidente entende que não há motivo para o governo se preocupar. "Quem tem que ficar preocupado são os bancos americanos que investiram em fundos imobiliários." Questionado pelos jornalistas logo na chegada ao Itamaraty, Lula reagiu com bom humor. "Vocês estão vendo que não precisou nenhum ministro meu correr para Washington ou Nova York." O presidente lembrou que o governo está com suas contas "realmente equilibradas" e há reservas suficientes para enfrentar a turbulência. "E o que é importante aqui é que o dólar vai se ajustando, na medida que a economia vai exigindo mudanças. Por isso ele é flutuante." Enquanto saboreava um cafezinho em companhia do presidente do Benin, Lula contou que, na véspera, chamara o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para dar explicações sobre a dimensão da crise. "Eu perguntei: Guido, isto vai chegar na gente? E ele disse que não", relatou. O ministro explicou ao presidente que a entrada de dólares no País todos os dias é positiva. "Quem tem um colchão de US$ 160 bilhões de reserva não tem que se preocupar", comentou. MANTEGAO ministro Mantega avaliou que a crise representa uma acomodação de mercados, que pode durar dias ou semanas. Ele salientou, porém, que boa parte dos países emergentes está hoje mais sólida, caso do Brasil. "A prova disso é que ninguém foi pedir ajuda ao FMI", disse."O epicentro da crise está nos Estados Unidos e na Europa. Ninguém ouviu falar de Índia, China ou Brasil", disse. Mantega observou que, embora os Estados Unidos possam ter o crescimento econômico reduzido, uma desaceleração moderada da economia americana não teria reflexo na economia mundial porque esse movimento seria compensado por Europa e Ásia, que crescem mais rapidamente. Disse também que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode reduzir os juros para estimular o crescimento. Ele estimou que os ativos sólidos vão se recuperar e os reflexos no Brasil serão passageiros. Reiterou que as empresas brasileiras não estão envolvidas nas operações de fundos hedge. Para ele, não há um movimento de retirada de investimentos do País.

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