‘Quem tem perfil deve apostar em um pouco mais de risco’

Sucesso nas reformas pode abrir espaço para queda maior da Selic, mas migração da renda fixa ainda demora

Entrevista com

Gilberto Abreu, diretor de investimentos do Santander

Hugo Passarelli, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2017 | 11h23

Assumir um pouco mais de risco em 2017 é a fórmula recomendada pelo diretor de investimentos do Santander, Gilberto Abreu. Para o executivo, 2017 ainda não será o ano em que a economia vai estar totalmente arrumada, mas pode ser o ponto de partida para mais cortes na taxa de juros. Leia os principais trechos da entrevista.

Qual é o cenário para a economia brasileira em 2017?

A taxa de juros vai cair e o governo deve conseguir ser bem sucedido em controlar a inflação e aprovar as reformas. A economia vai melhorar, mas isso deve acontecer mais no segundo semestre. Obviamente, ainda vai ter muita incerteza.

Qual é o reflexo disso nos investimentos?

Somos cautelosamente otimistas e achamos que ainda tem espaço para a Bolsa. Estamos em um momento de discussões estruturais e de longo prazo e isso vai se construindo até que se materializa. Enquanto isso, vamos ter volatilidade.

Qual a projeção para a Bolsa?

A perspectiva para Bolsa no ano que vem é de algo em torno dos 75 mil pontos. Passando para os outros mercados, o cenário também é bem positivo. Tanto os títulos do Tesouro ligados à inflação como as operações prefixadas devem ser boas apostas. Se considerarmos a nossa projeção de um Selic no ano que vem de 9,5%, ainda estão interessantes as operações prefixadas.

É hora de tomar mais risco?

Quem tem perfil para ter ativos de risco deveria ter um porcentual da carteira nesses ativos. Uma opção para pegar um pouco desse movimento na Bolsa é investir nos fundos multimercado, que costumam ter boa performance nesse cenário de reformas.

Mas então a migração da renda fixa ainda deve ser gradual?

Esse processo é lento porque vimos por muitos anos um cenário de juros altos e aos poucos as pessoas vão tomando risco. Do ponto de vista macroeconômico, 2017 não é ano em que a casa vai estar totalmente arrumada. Fazendo tudo que tem de ser feito, a gente vai ter uma situação fiscal muito mais equilibrada, o que abriria queda de juros mais altas no longo prazo. Esse cenário de deixar a renda fixa deve acontecer se os juros começarem a cair com mais força.

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