Quem vai ficar com o FMI?

Dominique Strauss-Kahn mal deixou o posto de diretor- gerente do FMI e a corrida pela sucessão já foi lançada.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

Quem vai herdar o esplêndido cargo de "grande financista"? Não será fácil substituir Strauss-Kahn que, ao assumir o FMI num estado de torpor em novembro de 2007, em três anos dotou a instituição de músculos, cérebro, nervos e um pouco de coração. Se DSK em matéria de mulheres não se comporta muita bem, devemos admitir que como financista está acima de qualquer crítica.

Na realidade, a questão que se coloca não é quem vai substituir DSK, mas que continente sucederá a Europa na chefia do FMI? Desde a sua criação (1944 em Bretton Woods) uma regra tácita reservava o Banco Mundial aos EUA e o FMI a um europeu. Essa divisão se justificava em 1944. Hoje, não mais. Enormes potências surgiram, como China, Índia e Brasil, e uma ideia começou a criar raízes, de que o monopólio da Europa sobre o FMI poderia ser contestado.

Entre os argumentos apresentados para um europeu conservar o excelente posto do FMI, ouvimos: suponhamos que o FMI seja chefiado por um chinês, um indiano ou um brasileiro. Essa pessoa será levada a examinar as finanças dos países europeus. Poderá propor uma ajuda, mas vai impor exames mais acurados, planos de austeridade. E vai lhes dar uma "lição de moral". Imaginem que vergonha, que humilhação: um país da velha e nobre Europa sendo controlado e repreendido por um chinês, um indiano ou um brasileiro! Vergonha!" / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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