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Quer testar? Deixe com o consumidor

Empresas de tecnologia adotam estratégia acelerada de lançamentos e deixam para trás o medo de fracassar em público

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Foram as empresas de internet que inventaram o conceito de beta permanente. Beta é o nome dado ao produto que está quase pronto para ser lançado, que se encontra na fase final de testes. Esse conceito de estar sempre em beta vem da ideia de que um serviço de internet está em evolução permanente, sofrendo melhoras constantes, sem nunca alcançar sua versão definitiva.

Com a convergência dos mercados digitais, não são somente os websites que estão sempre em beta. Isso também vale para computadores, celulares, videogames e todo tipo de equipamento ou serviço. Empresas de bolsos cheios lançam produtos sem medo de ter que retirá-los do mercado em poucos meses. A experiência de um fracasso hoje pode ser transformada para um grande sucesso futuro.

O melhor exemplo dessa tendência é provavelmente o Google. O ritmo frenético de lançamentos pode ser exemplificado com o que aconteceu há duas semanas. Em dois dias, o gigante da internet lançou seu segundo celular próprio, em parceria com a Samsung, chamado Nexus S; uma loja de livros eletrônicos, a eBookstore; e o Chrome OS, um sistema operacional para concorrer com o Windows, da Microsoft.

No Nexus S, o Google aplicou tudo o que aprendeu com o Nexus One, seu primeiro modelo próprio de celular, que, apesar de ser um sucesso de crítica, não conseguiu atingir as vendas esperadas, devido ao modelo de negócios de venda direta pela internet. No mercado americano, ainda mais do que no Brasil, as pessoas estão acostumadas a comprar seus celulares em lojas, com subsídio das operadoras. O Nexus One foi tirado do mercado pelo Google depois de sete meses.

"É um pouco inevitável que o lançamento acabe se transformando em aprendizado", diz o professor Ruy Quadros, líder do Grupo de Estudos de Empresas e Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Essas empresas estão entrando em mercados em que não estavam. Em setores mais tradicionais, não é comum esse cruzamento de fronteira."

Ter um bom produto não é garantia de sucesso. No caso do Nexus One, o problema foi a estratégia de comercialização, em que o consumidor comum, que não é aficionado em tecnologia, não tinha oportunidade de conhecer o aparelho pessoalmente. Ainda não disponível no Brasil, o Nexus S pode ser comprado na rede varejista americana Best Buy.

Se o Google ainda não provou que sabe vender celulares, no software para dispositivos móveis a empresa teve grande sucesso. Os celulares com seu sistema operacional Android já dominam as vendas de smartphones e devem ultrapassar a participação de mercado do iPhone, da Apple, até 2014.

Tentativas. Concorrentes como a Microsoft e a Apple adotam estratégias semelhantes à do Google. A Apple lançou este ano o Ping, uma rede social de música, para fazer frente ao Facebook usando a força que a Apple tem como a maior varejista de música do mundo. Quase ninguém usou.

O iPad, por outro lado, foi um dos produtos de maior sucesso no ano, com vendas de 7,5 milhões de unidades entre abril e setembro. Além disso, o tablet da Apple criou uma nova categoria de produtos. Existem duas maneiras de enxergar o iPad. Ele pode ser visto como uma evolução do iPhone, um produto de sucesso, ou do Newton, computador de mão vendido pela empresa há mais de uma década, considerado um fracasso.

A Microsoft teve um sucesso recente, que foi o Kinect, sensor de movimento para seu videogame Xbox 360, que conseguiu desbancar o concorrente Wii, da Nintendo. Foram vendidas 2,5 milhões de unidades em um mês. A história da linha de smartphones Kin, no entanto, foi completamente diferente. Seis meses depois de lançá-los nos Estados Unidos, a Microsoft decidiu tirá-los do mercado.

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