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''Queremos a participação das empresas brasileiras''

Dirigente da autoridade saudita de investimento consulta grupos do Brasil

Andrei Netto, RIAD, ARÁBIA SAUDITA, O Estadao de S.Paulo

25 de maio de 2009 | 00h00

Companhias brasileiras são um dos focos de interesse do plano de atração de investidores internacionais, com o qual a Arábia Saudita vem erguendo metrópoles como a King Abdullah. Daí o esforço diplomático dos governos dos dois países para aprofundar o comércio, no fim de semana passado, em Riad.Acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, membros da comitiva de 52 empresários brasileiros levados ao Oriente Médio foram alvo de assédio, mas também comemoraram as possibilidades de negócios abertas pelos novos oásis sauditas."Os projetos das cidades atrairão empresas de diversos lugares do mundo, e nós queremos os brasileiros, principalmente em áreas de ponta, como as indústrias de químicos e de alimentos", disse à BBC Brasil Ahmed Osilan, diretor-geral da Sagia, a Autoridade Saudita de Investimentos .Entre os executivos brasileiros, o otimismo era a tônica sobre os contatos com as autoridades sauditas. Um dos interessados era Alessandro Dias Gomes, diretor-superintendente da Odebrecht nos Emirados Árabes Unidos. Estimulado pelos projetos de construção das cidades econômicas, Gomes vislumbra oportunidades de grandes projetos, a exemplo dos trabalhos da empresa em Dubai, nos Emirados Árabes."Precisaremos achar um jeito de ser diferente da concorrência", pondera Dias, planejando. "Pegar um pedaço de qualquer um dos grandes investimentos em portos, aeroportos e estradas já seria ótimo." Já presente no Oriente Médio, a fabricante de ônibus Marcopolo viu oportunidades promissoras nas discussões com os sauditas. Desde 2005, a empresa não vende veículos a companhias do país, onde circulam 1,4 mil ônibus da marca."A Arábia Saudita tem projetos novos e já faz parte de nossas estratégias", confirma Maichel Mensch, diretor de Vendas no Oriente Médio. Nem a retomada das negociações sobre o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) - que preocupa o setor petroquímico do Brasil - desanimou os executivos presentes na turnê. Embora cauteloso, Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais e Desenvolvimento Sustentável da Braskem, a maior petroquímica da América Latina, também vê razões para otimismo.Lyra entende que o livre comércio com os árabes pode ser um bom negócio, desde que os governos fomentem parcerias entre as empresas, dividindo o mundo em regiões de influência e evitando a concorrência direta. "Temos 11 mil empresas e geramos 321 mil empregos na indústria petroquímica no Brasil", lembra. "O ambiente pode ser positivo para os dois lados, desde que não cause prejuízos a setores já consolidados, como é o caso no Brasil."De acordo com Lyra, a Braskem pode se interessar na criação de joint ventures com companhias sauditas, com benefícios em tecnologia, pesquisa, produção e distribuição."A agenda bilateral na Arábia Saudita foi positiva. Só entendo que os setores estratégicos, como a petroquímica, precisam ser preservados de uma concorrência predatória. Se isso for garantido, as oportunidades podem surpreender", afirma Lyra.Para selar negócios, porém, os empresários brasileiros precisarão de paciência e perseverança, ensina o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Michel Alabi. "Negociar com os países árabes não é um processo fácil. É preciso conquistar a confiança, a amizade e esperar seis meses ou um ano para fechar os primeiros negócios."

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