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Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

'Queremos ações concretas sobre questão ambiental', diz executivo de banco de investimento europeu

Responsável pela área ambiental do grupo financeiro Nordea, com sede na Finlândia e um dos 10 maiores da Europa, diz que anúncio de proibição de queimadas na Amazônia é um bom começo; banco decidiu ainda em 2019 parar de comprar ativos do governo brasileiro

Entrevista com

Eric Pedersen, executivo do grupo Nordea

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2020 | 12h19

O grupo financeiro Nordea, com ativos de 550 bilhões de euros, um dos 10 maiores da Europa, parou de comprar ativos do governo brasileiro em 2019 por causa do aumento das queimadas na Amazônia. Desde então, colocou a carteira de títulos soberanos do Brasil, com valor ao redor de 100 milhões de euros, em uma espécie de "quarentena". 

Ainda não há planos de voltar a comprar os papéis e, no limite, o banco pode até se desfazer dos ativos atuais, caso não haja melhora na política ambiental do presidente Jair Bolsonaro. "Queremos ver ações mais concretas daqui para a frente", afirmou ao Estadão/Broadcast Eric Pedersen, executivo responsável pela área de melhores práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) do grupo, que tem sede em Helsinque, na Finlândia.

O presidente Jair Bolsonaro está tomando medidas para o meio ambiente em resposta às críticas de investidores internacionais. O governo anunciou que vai proibir queimadas na Amazônia por quatro meses. O que o senhor acha dessa medida? O governo pode fazer mais?

O anúncio da proibição de queimadas é um bom início, mas é apenas um começo, sobretudo porque tem um tempo limitado. Esperamos ver mais ações e planos concretos daqui para a frente.

A área de gestão de recursos do Nordea parou de comprar títulos soberanos do governo brasileiro em 2019 e os colocou em um espécie de "quarentena". Como está a situação dessa carteira?

A decisão de não mais colocar ativos soberanos do governo brasileiro em nossa carteira ainda está mantida. Foi uma decisão baseada em risco, tomada por conta do risco mais amplo, devido ao desmatamento, e ao risco específico de deterioração dos ratings de crédito de médio e longo prazo, causado pelos efeitos que as queimadas estão tendo na probabilidade de aprovação do acordo pendente entre a União Europeia e o Mercosul.

Se a questão ambiental não melhorar no Brasil, há o risco desta carteira de títulos soberanos do País ser desfeita?

Não existe este plano, mas nossas decisões de investimento são baseadas em risco, incluindo o risco de sustentabilidade pelos critérios ESG. E, se virmos que esses riscos podem crescer, haverá um ponto em que um investimento se torna menos atrativo do que outras alternativas disponíveis.

O tema ESG no mercado de investimento ainda é novo Brasil, está apenas começando a ganhar impulso. Como está na Europa? O sr. acha que essa questão vai ganhar ainda mais força no mercado internacional de investimentos?

Na verdade, isso já está acontecendo. Nos últimos 18 meses houve uma aceleração muito significativa na demanda mundial por investimentos baseados nos critérios ESG. E esse movimento deve crescer ainda mais, na medida em que a regulação de finanças sustentáveis da União Europeia, em regras similares em outros lugares, ganham força.

A pandemia do coronavírus mudou algo no mundo de investimentos sustentáveis?

A pandemia da covid-19 apenas reforçou a tendência de busca por investimentos com critérios ESG, na medida em que a vulnerabilidade das empresas e das economias a todo o espectro de riscos ESG se tornou ainda mais clara aos participantes do mercado financeiro. 

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