Queremos celulares cada vez mais protegidos

Smartphones seguros ainda são um nicho, diz Jon Callas, cofundador da Silent Circle, empresa que criou o Blackphone. "Mas é um nicho que cresce todo dia." Seu produto, o Blackphone, tem vendido muito bem desde que saiu em junho de 2014, segundo ele.

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2014 | 02h04

O Blackphone usa da criptografia para proteger chamadas e mensagens, entre outros recursos, criando uma fortaleza de bolso contra olhares de fora. Faz parte de uma indústria que floresce na era pós-Snowden. Falando à BBC, Callas prometeu para breve uma versão tablet do aparelho.

A prova de que o nicho é cada vez maior é que não são apenas empresas segmentadas como a Silent Circle que estão oferecendo soluções de segurança reforçada. Apple e Google, por exemplo, também estão nessa. O sistema operacional iOS 8 traz encriptação tão sofisticada que a própria empresa diz que não consegue ter acesso aos dados do usuário. A nova versão do sistema operacional do Google, Android L, virá com encriptação automaticamente ativada.

Quem chiou foram as autoridades norte-americanas. O FBI protestou contra essas proteções, alegando que atrapalharão seu trabalho. Segundo a agência, sistemas difíceis de penetrar protegem criminosos. Chegaram a apelar ao dizer que crianças ficarão mais vulneráveis a pedófilos com essa tecnologia. A ladainha da segurança comum tende a se repetir em muitos outros países. Alguns, com menos pudores, simplesmente proibirão a tecnologia, como se espera que a China fará. O assustador é que um ex-funcionário da NSA chegou a sugerir que os Estados Unidos deveriam se inspirar no exemplo do país asiático.

Uma pesquisa divulgada em julho mostrou que 83% dos americanos acreditam que a polícia deveria conseguir um mandado antes de vasculhar informações pessoais contidas no celular de uma pessoa.

Mas por que o incômodo? Como dizem muitos: "quem não deve, não teme".

Sem entrar na questão de que governos erram (e muito), é um problema de princípio. Como exercício, transplante essa situação para o mundo físico. Imagine que, em nome da segurança, a polícia tivesse autorização para entrar aleatoriamente nas casas das pessoas e revistar tudo. Isso poderia acontecer a qualquer hora, em qualquer dia, sem aviso prévio.

Melhor ainda. Que tal se todas as casas tivessem paredes de vidro para que fosse possível facilmente vigiar de fora o que acontece dentro? Esse é exatamente o cenário da sociedade descrita em We, ficção distópica do russo Yevgeny Zamyatin, publicada em 1920, e inspiração declarada para Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell. No mundo de We todos são teoricamente felizes e ninguém tem privacidade nenhuma.

Nossos aparelhos eletrônicos, da mesma forma, não devem ter "paredes de vidro". Cada vez mais, como nossas casas, são nossos templos. Lá ficam as fotos de pessoas queridas, endereços de familiares, contatos de trabalho, contratos de negócios, senhas diversas. Rapidamente, estão se tornando também os locais onde guardaremos informações valiosas sobre nossos cartões de crédito e dados sobre nossa saúde. Quanto mais protegidos estiverem, melhor para nós como indivíduos e como sociedade.

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