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'Queremos levar o Angry Birds para a vida cotidiana', diz Peter Veterbacka

Executivo da empresa que criou o game de sucesso traz primeiro playground da marca para o Brasil e investe em parcerias

Entrevista com

FILIPE SERRANO, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2013 | 02h06

Desde que a Rovio lançou o jogo Angry Birds em dezembro de 2009, o diretor executivo de marketing Peter Vesterbacka percorre o mundo para promover a marca por trás dos passarinhos nervosos que viraram hit instantâneo, primeiro nos smartphones e, depois, em diversas outras plataformas.

Agora é a vez de Vesterbacka passar pelo Brasil em busca de oportunidades de parcerias. Vestido com um moletom vermelho que estampa um dos personagens - como costuma aparecer em público -, ele fez uma apresentação ontem em São Paulo a uma plateia de 60 pessoas, entre publicitários e representantes de grandes empresas no Brasil, sobre como a desenvolvedora construiu uma marca forte em apenas três anos. Hoje o game é jogado por 35 milhões de pessoas por dia.

 

Para ele, o segredo foi pensar em formas de explorar a marca de maneiras fora do comum, como as versões promocionais Angry Birds Rio, Space, Star Wars e Seasons, e também levar a franquia para além do digital. Hoje há refrigerantes, bonecos, brinquedos, desenhos animados, parques de diversões e outros produtos com a marca.

É pensando nisso que a empresa anuncia hoje seus primeiros playgrounds Angry Birds no País. Eles serão montados temporariamente em 32 shoppings da rede BR Malls ao longo de um ano, num investimento de R$ 5 milhões. Os primeiros centros que vão receber os parques a partir de julho ficam em São Paulo (Mooca Plaza), Rio (Norte Shopping), Curitiba (Shopping Estação) e Campinas (Campinas Shopping). Os parques devem funcionar por um mês e depois seguem para outros centros da rede.

"Nós preferimos ter pequenos 'activity parks' (playgrounds) em cada cidade, onde as pessoas já estão, a criar um enorme parque de diversão para onde elas têm de se deslocar", disse Vesterbacka em entrevista ao Estado. "Queremos fazer parte da vida cotidiana."

Ele falou sobre os planos para o Brasil.

Como o sr. pretende aumentar a presença no País?

Estamos planejando neste momento. Começamos o Angry Birds quando tínhamos 12 pessoas na empresa. Hoje somos 600. Então nossos últimos três anos foram focados em contratar pessoas, em crescer, mas nós ainda não tínhamos o tempo e os recursos para entrar em todos os mercados. Por isso focamos nos Estados Unidos e na China. E agora que nós conseguimos adequar o tamanho da empresa, temos mais recursos para trabalhar na América Latina, e no Brasil em particular. É por isso que estamos aqui agora, para estudar que tipo de presença nós precisamos ter aqui, na região.

Como vai gerenciar as parcerias no Brasil a longo prazo? Pretende abrir um escritório aqui?

É algo que estamos explorando. Temos dezenas de milhões de fãs. É um mercado bastante significativo para nós. Na China construímos uma presença forte e temos um escritório de 20 pessoas em Xangai. Ainda não temos planos específicos, mas, claro, a América Latina é um mercado enorme, está crescendo muito rápido. Vamos ver que tipo de presença vamos ter nos próximos 12 meses.

Acredita que conseguirá manter crescimento de 101% na receita que teve no ano passado?

Estamos focados em fazer o Angry Birds crescer o máximo possível. E isso também está ligado aos investimentos na América Latina e no Brasil. Há muita oportunidade de crescimento aqui, como a Copa do Mundo, a Olimpíada. Estamos construindo nosso negócio na Rovio para 100 anos, não 100 dias. E neste sentido o Brasil e a América Latina são mercados muito importantes para nós.

O sr. falou sobre sua filosofia de trabalhar a marca de forma diferente. De onde vem isso?

Vem de uma visão pessoal sobre marketing, que a coisa mais importante hoje é se destacar. Há muitos produtos, muitos serviços e a maioria dos mercados está muito cheio. Em nossa área, isso é brutal. Há centenas de milhares de games. Por isso é algo que sempre tentamos fazer na Rovio, e sempre pensar: "podemos fazer de um jeito que nunca foi feito?". Em muitos casos, o fato de fazer coisas diferente cria muito valor. Por isso questionamos sempre as práticas das empresas.

Como vê a Rovio em três anos?

É difícil dizer. Se você perguntasse isso em 11 de dezembro de 2009, quando lançamos o jogo, não acho que eu diria que teríamos 1,7 bilhão de downloads e estaríamos construindo parques no Brasil. Percorremos um longo caminho em um tempo muito curto. Mas acho que em três anos queremos ter construído a maior marca que já existiu. Por que não?

Alguns desenvolvedores de jogos de sucesso também pensavam assim e não conseguiram ir além de seus hits. Isso é um risco para vocês?

Não temos medo. Temos uma equipe ótima e diversa, com muito talento e de várias nacionalidades. Trabalhamos no Angry Birds por três anos e foi um bom começo. Olhando para o Brasil, ainda há muito a ser feito. E é muito claro que só estamos no início. Claro que precisamos nos preocupar com o que pode acontecer, mas estamos muito confiantes na nossa capacidade de manter a marca. Eu realmente acredito que podemos fazer.

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