''''Queremos ser as Casas Bahia da cirurgia plástica''''

Clínica parcela pagamento em até 25 prestações

O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

A assistente administrativa Jaqueline Elias dos Santos Silva, de 25 anos, acaba de realizar um sonho antigo: uma cirurgia para aumentar os seios. O desejo, segundo ela, só pôde ser alcançado por causa do crediário. Jaqueline parcelou a cirurgia plástica em 20 prestações de R$ 300,06. À vista, ela desembolsaria R$ 4,8 mil. "Vou pagar R$ 1,2 mil a mais a prazo, mas valeu a pena, melhorei a auto-estima."Com renda mensal de R$ 1,2 mil, ela gasta cerca R$ 500 por mês com a faculdade e não consegue poupar. Se não houvesse a facilidade de parcelamento, ela acredita que não poderia ter feito a cirurgia plástica. "Estou sempre no limite do cheque especial. Se não fizer dívidas, não consigo realizar os desejos de consumo. E, durante os dois anos que estarei pagando a cirurgia, terei os seios lindos."Jaqueline não é a única que procura parcelamento nas clínicas de cirurgia plástica. Walmir Zeferino, diretor executivo da clínica de cirurgia plástica BelloCorpo, conta que 40% dos procedimentos são financiados em até 25 prestações, com juros de 3% ao mês.Em funcionamento há quatro anos, a clínica fica perto de uma estação de metrô, o que facilita o contato com as camadas populares. "Queremos ser as Casas Bahia da cirurgia plástica", diz Zeferino. No início, diz ele, o foco era o público de menor renda. Mas, aos poucos, a clientela se expandiu e conquistou as classes de maior poder aquisitivo, que passaram a aderir ao parcelamento.Hoje a clínica realiza 100 cirurgias por mês, mas atende perto de 200 pessoas interessadas em fazer algum tipo de operação plástica. Desse total, Zeferino conta que metade dos clientes não têm o financiamento aprovado porque a renda não é suficiente."Vamos ampliar o prazo máximo do financiamento de 25 meses para 36 meses em breve", diz o diretor. Atualmente, a empresa trabalha com três bancos e negocia uma linha de crédito com prazos mais dilatados com uma quarta instituição financeira.Quase um ano a mais de prazo de financiamento, de 25 meses para 36 meses, deve provocar uma queda significativa no valor da prestação, prevê Zeferino. Quando a empresa esticou de 19 meses para 25 meses o prazo de pagamento, a prestação caiu quase 20% e um número maior de pessoas teve acesso ao serviço.Apesar de os financiamentos longos comprometerem a renda por mais tempo, Jaqueline não tem medo de se endividar. Ela já planeja comprar um carro zero quilômetro também a prazo, financiado em 60 meses, ou cinco anos, na metade do ano que vem. Pelo sonho do carro zero, Jaqueline está disposta a gastar cerca de R$ 500 por mês, o que deve tornar o seu orçamento mais apertado. "O importante é usufruir dos benefícios agora."

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