'Queria acreditar que a situação vai melhorar'

Como empresária e consumidora, a nutricionista Vanderli está pessimista com relação à economia

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2013 | 02h08

Pela primeira vez em dez anos, a nutricionista Vanderli Marchiori não conseguiu ganhar o suficiente no mês para pagar o aluguel de seu consultório na Lapa, em São Paulo. A profissional autônoma de 46 anos, que também dá aulas em curso de pós-graduação, afirma que sempre teve boa clientela. No entanto, em julho, diversas de suas consultas foram canceladas, pois as pessoas afirmavam estar sem dinheiro.

"O poder aquisitivo diminuiu muito do começo do ano para cá. As pessoas simplesmente não têm mais dinheiro, isso é notório", diz ela. Para minimizar os prejuízos, Vanderli teve de subir o preço de seu atendimento em 10%. "Se eu fosse subir de acordo com o aumento real das minhas despesas, teria de subir cerca de 30%. Só o aluguel da minha sala aumentou 12% desde o início do ano."

Vanderli sentiu a inflação também como consumidora. "Na padaria, até três meses atrás, o café com pão na chapa custava R$ 2,80 e agora está R$ 5,20", disse. "Queria acreditar que a situação vai melhorar, mas estou bem reticente."

Miyuki Yoneda, de 54 anos, também sentiu a instabilidade econômica nos negócios. Dona da rede Fifo, lojas de R$ 1,99 que vendem de utensílios domésticos a produtos de papelaria, ela afirma ter observado um aumento grande no preço das mercadorias nos últimos seis meses. "A matéria-prima está mais cara. Sentimos isso mais com plástico e algodão."

A empresária, que após se aposentar abriu o próprio negócio com as irmãs, teve de aumentar os preços das mercadorias por volta de 5%. "Há produtos cujo preço não aumentamos, para não afastar a clientela. Mas tivemos uma desaceleração nos negócios, entre 6% e 7%."

A preocupação de Miyuki agora está no preço do dólar, por causa dos produtos importados - ainda mais com a proximidade do Natal. "Acho que o governo está camuflando a nossa inflação, evitando mostrar o quanto de fato ela está aumentando; mas a gente é que sente."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.