Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

Questão ambiental é desafio na exportação de grãos pelo Porto de Santos

Dois terminais pertencentes a tradings já foram multados só neste ano; população reclama de poeira e odor da soja

LETICIA PAKULSKI, DE SANTOS (SP)

13 de maio de 2016 | 14h50

A safra recorde de soja na temporada 2015/16 tem sido um desafio para o Porto de Santos, que lidera a exportação da commodity no País. A demanda aumentou, exigindo eficiência para reduzir o incômodo à população que vive nas proximidades do porto. A reclamação quanto ao mal-estar provocado pela poeira e o odor resultantes da movimentação dos grãos gerou, apenas neste ano, multas a dois terminais e a interdição de um terceiro, por emissão de poluentes na atmosfera. As punições foram aplicadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Para amenizar o problema, a Companhia Docas do Estado (Codesp) trabalha com tradings e operadores logísticos em busca de soluções.

Ao mesmo tempo, não fosse a soja e o farelo, o terminal santista não teria batido em março o terceiro recorde mensal consecutivo na movimentação de cargas. Quase a metade de toda a exportação foi do complexo soja, ou o equivalente a 4,3 milhões de toneladas, crescimento de 45% em relação a março de 2015. Considerados os três primeiros meses do ano, foram quase 7 milhões de toneladas de grão e farelo exportados, aumento de 32% ante 2015. Já o movimento de contêineres, que podem conter cargas agropecuárias, mas são utilizados principalmente para produtos industrializados, registrou queda de 8% no acumulado do ano e de 11% em março.

No fim de abril, quando a reportagem esteve no porto, moegas funcionavam a todo vapor. Nesses equipamentos onde a soja trazida de caminhões e vagões de trens era descarregada, o processo era rápido, sem filas, um cenário bem diferente de dois anos atrás, quando caminhões se acumulavam no pátio ou ao longo da estrada de acesso ao porto. Das moegas, a soja seguia por esteiras e elevadores de grãos para os silos, de onde era transportada por outras esteiras até shiploaders, equipamentos que colocam o produto dentro do navio. O preenchimento dos porões dos navios com a soja pode durar de um a três dias, dependendo da capacidade do terminal.

O diretor-presidente da Codesp, Alex Oliva, disse ao Broadcast Agro que a Operação Safra, adotada em 2014 e repetida anualmente desde então, gerou melhorias que tornaram mais ágeis recebimento e embarque dos grãos nos navios.

Enquanto os granéis ganharam mais importância nos resultados do terminal santista, produtos industrializados perderam espaço. "Esse cenário retrata a situação macroeconômica, sobre a qual o porto não tem qualquer tipo de gestão. Já a participação do granel ficou mais evidente justamente porque, naquilo que dependia de nós, nós melhoramos", disse ele.

A partir deste ano, o porto pode receber, sem filas ou aglomerações, 14 mil caminhões por dia, ante 12 mil/dia em 2015. Até março, 100% dos veículos chegavam ao local com agendamento prévio, ante 97% no ano passado. Paralelamente, a retomada das operações na Hidrovia Tietê-Paraná, em fevereiro, após 22 meses de paralisação em virtude da seca, tende a diminuir a pressão sobre essa estrutura rodoviária. "Parte da carga que poderia vir por caminhão voltou a vir por meio do modal ferroviário, com a integração que existe com a hidrovia", disse o diretor de operações logísticas da Codesp, Cleveland Lofrano.

Em um momento em que o Arco Norte é apontado como alternativa eficiente para o escoamento da safra do norte mato-grossense, a Codesp não acredita em migração de cargas e projeta que a exportação via Santos de soja em grão deve crescer 5,4% e a de farelo de soja aumentar 7,1% em 2016. "Santos tem um nicho próprio que vai se manter. O que está acontecendo é que esse acréscimo de produção no Brasil não tem mais como fluir só para o Sul e Sudeste; precisa fluir naturalmente para o Arco Norte", disse Oliva. "O Arco Norte vem dar resposta a essa demanda." Apesar de ser o maior porto em exportação de soja em grão, Santos ocupa o segundo nas vendas externas de farelo, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) referentes a 2015. Em volumes, o porto representou 24% da soja em grão e 29% do farelo exportados pelo Brasil no ano passado. 

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