Questão cambial requer cooperação entre potências, diz OMC

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Questão cambial requer cooperação entre potências, diz OMC

Diretor da entidade, Roberto Azevêdo, disse que nenhuma organização sozinha dará conta dos desafios que envolvem o câmbio

Wladimir D'Andrade, Gustavo Porto e Beatriz Bulla, da Agência Estado,

15 de outubro de 2013 | 11h09

SÃO PAULO - O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, disse nesta terça-feira, 15, que a questão cambial no comércio internacional só será devidamente tratada globalmente se houver cooperação entre os países emissores de moeda forte. Por meio de videoconferência com os participantes do Fórum Estadão Brasil Competitivo - Comércio Exterior, realizado em São Paulo, Azevêdo afirmou que nenhuma organização sozinha dará conta dos desafios que envolvem a questão cambial, seja ela a OMC, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Essa questão só será devidamente tratada se houver cooperação dos grandes países emissores de moeda forte no mundo", afirmou, acrescentando que nunca disse que a OMC não seria foro para debater a questão cambial.

O diretor-geral da OMC afirmou que os países membros da organização estão discutindo o câmbio no comércio exterior. Azevêdo defendeu ainda a abertura dos países ao comércio internacional. Ele disse que a opção sustentável para qualquer nação é aquela que "olha para fora". "Não acredito em soluções econômicas fechadas", afirmou, ao lembrar que cada país adota sua estratégia para se inserir no comércio global. "É raro encontrar países que não aceitam (o comércio internacional)."

Negociação. Azevêdo afirmou que novas negociações irão se concentrar na evolução de novas regras comerciais. "Fazer parte desse processo, ter sua voz ativa nesse processo mundial global de formação de novas disciplinas é importante", disse.

De acordo com ele, a reunião da OMC em Bali vai ser "fundamental" para a recuperação da credibilidade da organização como foro negociador, no sentido de entregar resultados "que sejam efetivamente multilaterais". "Não será o fim da estrada, será o primeiro passo num caminho", comentou.

"Temos um pacote muito interessante pra Bali", disse Azevêdo, em referência a propostas de facilitação do comércio. "Estima-se que aproximadamente 10% dos custos dos fluxos de comércio estejam relacionados a custos aduaneiros", comentou.

Segundo ele, para Brasil, o acordo em Bali é "absolutamente crítico". "Imagino eu que o interesse tem sido substantivo no Brasil, as discussões tem acontecido internamente", completou. Azevêdo mencionou que facilitação de comércio não será o único pilar das negociações.

Ele apontou que há discussões também na área de subsídios da exportação, mas afirmou que "é difícil ver que resultado concerto conseguiremos agora em Bali" nesta questão. Ele apontou ainda que, como exportador agrícola, o País pode ser beneficiado em acordo de cotas.

Segundo o diretor-geral da OMC, o "clima em Genebra mudou muito". "Vemos um ambiente aqui em Genebra que não existia há vários anos. Temos expectativas de que é possível, é viável, mas ainda há riscos importantes e estamos tentando superá-los nas poucas semanas que restam", finalizou, sobre a reunião de Bali.

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