Questão dos royalties do pré-sal não é para agora, diz Lula

Presidente justificou dizendo que "o grosso do petróleo a gente vai retirar lá para 2016, 2017, 2018"

CARMEN POMPEU, Agencia Estado

10 de setembro de 2009 | 14h50

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou hoje, em Fortaleza, a disputa pelos royalties do pré-sal. "Essa questão dos royalties nem vai entrar agora (em discussão), porque quando a gente for explorar o petróleo, na verdade, o grosso do petróleo a gente vai retirar lá para 2016, 2017, 2018", afirmou. As declarações foram dadas ao radialista cearense Paulo Oliveira, da Rádio Verdes Mares AM, a quem Lula concedeu entrevista exclusiva logo após desembarcar na Base Aérea de Fortaleza, por volta das 11 horas. Em seguida, o presidente seguiu para a cidade de Sobral, no norte do Ceará.

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"(O pré-sal) não é uma coisa para daqui quatro anos, porque é um investimento alucinante de sondas, de plataformas. Somente navios a Petrobras está contratando 200. Somente navios. São 38 sondas. Cada sonda custa de 1,5 a 2 bilhões de dólares", comentou Lula.

Sobre as críticas recebidas, o Lula disse preferir ser acusado de "estatizante" a ser chamado de "vendilhão". O presidente também voltou a defender a criação de um fundo do pré-sal. Com ele, segundo Lula, todos os Estados terão partes iguais. "Obviamente que nós levamos em conta os Estados onde o petróleo está mais próximo. Vamos tratar disso com carinho", ponderou Lula. "Agora, qualquer Estado, de Roraima ao Rio Grande do Sul, todos terão participação equânime nessa história do petróleo", assegurou, alegando ser esta a grande chance que o Brasil tem para crescer. "Eu conheço um país rico em petróleo e o povo continua pobre. Por quê? Porque (com) o dinheiro fácil, as pessoas acham que não precisam fazer nada mais. É só torrar o dinheiro", alertou.

Educação

"Se tivesse concluído, poderia virar presidente da República. Eu fiz o do SENAI e cá estou eu", brincou com o radialista Paulo Oliveira quando este comentou que havia deixado um curso técnico pela metade.

Foi uma deixa para Lula falar sobre os investimentos feitos em Educação. "Saio da Presidência da República com a consciência de que sou o presidente que mais investiu em educação neste País", se auto-elogiou. "Não falo isso com orgulho não. Porque teve presidente que ficou seis anos, cinco anos, quatro anos, oito anos e não fizeram (sic) uma Universidade", comentou em seguida.

E prometeu: "Eu acho que vai ter emprego para todo mundo logo-logo.

Porque se a economia continuar crescendo do jeito que ela já está crescendo e no ano que vem a gente tiver um crescimento de 5%, eu acho que nós entramos noutro momento histórico de crescimento econômico, e vamos precisar de muita mão-de-obra".

Lula disse que, quando voltar de viagem que fará aos Estados Unidos, fará uma andança pelas obras de revitalização do Rio São Francisco, juntamente com os governadores do Ceará, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

"Nós queremos continuar tratando o Sul e o Sudeste com o carinho que eles merecem. Mas nós queremos priorizar investimento nas regiões Norte e Nordeste, que são as regiões que ficaram para trás", disse Lula, alegando que não governa com a sabedoria do presidente. "Não é apenas a minha cabeça. É o meu coração. É o sentimento de mãe, de pai, ou seja, uma mãe pode ter dez filhos. Ela pode gostar de todos iguais, mas aquele que está mais fragilizado é o que ela vai fazer mais dengo, é o que ela vai cuidar mais, é o que ela vai dar mais comida. Eu acho que o Nordeste é esse filho do Brasil que ficou esquecido. Precisamos trazer as coisas para o Nordeste para que ele fique igual ao restante do País".

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