Questão fiscal atrapalha grau de investimento, diz Moody's

Agência de classificação diz que ainda não elevou classificou do País por que dá ênfase à questão

Célia Froufe, da Agência Estado,

30 de abril de 2008 | 18h44

O principal limitador da melhora de qualificação do Brasil, para grau de investimento, por parte da agência de classificação de risco Moodys, é a questão fiscal, segundo explicou há pouco o vice-presidente da agência, Mauro Leos. Atualmente, a agência qualifica o País como 'Ba1', com perspectiva estável. Na tarde desta quarta-feira, 30, a agência de classificação Standard & Poors elevou o Brasil a BBB-, nível de investment grade. "A diferença fundamental entre a Moody's e as outras agências é que damos ênfase especial à questão fiscal", explicou Leos. Veja também:Brasil é elevado a grau de investimentoApós grau de investimento, Bovespa bate recorde históricoInvestment grade reflete boa política econômica, diz S&P'É o aval de que passamos a ser donos do nosso nariz', diz Lula 'Brasil entra no clube dos mais respeitados', diz Mantega Grau de investimento neste cenário é significativo, diz MeirellesComo o presidente sempre diz, 'nunca antes neste País...'Entenda o que muda no Brasil Para ele, o tema deve ser dividido em três partes. O primeiro é a avaliação de que a carga da dívida interna no País é elevada. "Diferentes indicadores de dívida do governo, tanto em termos absolutos quanto em relativos, melhoraram, mas ainda estão altos. E esta representa uma dúvida", considerou ele.  O segundo item apontado por Leos diz respeito à estrutura da dívida, que também está melhor, na sua análise, mas ainda é fruto de preocupação, porque praticamente um terço do total tem vencimento de curto prazo, de aproximadamente 12 meses. "Esta é uma vulnerabilidade do País", disse. "Outros países da mesma categoria do Brasil têm um porcentual menor de vencimento de curto prazo", acrescentou. O terceiro ponto enfatizado pelo vice-presidente da Moody's diz respeito aos gastos correntes do governo. "Apesar do cumprimento das metas (de superávit primário), os gastos estão subindo e é difícil controlar isso", disse. Leos disse que a agência reconhece as melhoras pelas quais passa o Brasil, mas reforçou que as perguntas que devem ser feitas a um país para atingir o grau de investimento, principalmente num cenário de choques inesperados, internos ou externos, são: 1) que impacto sofrerá desse choque?; 2) se tiver algum impacto, qual será sua capacidade de resposta? "Precisamos entender qual é a capacidade de reação do País a mudanças", argumentou. Questionado se falava especificamente dos impactos da turbulência no mercado internacional ou da alta da inflação e das expectativas do mercado financeiro, Leos preferiu não citar nenhum dos dois itens especificamente. Ele limitou-se a dizer que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País este ano não deve ser interrompido e que o mesmo vale para 2009. A Moody's não faz projeção para este indicador, mas Leos citou as expectativas do mercado financeiro, que estão em torno de 5,0% para este ano e de 4,5% para 2009.

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