Andre Dusek/Estadão
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Reservas internacionais garantem grau de investimento, diz Fitch

Para diretor da agência de classificação, reservas são ‘amortecedor gigantesco’ e governo sinaliza que não vai usá-las para controlar a cotação do dólar

Ricardo Leopoldo e Alvaro Campos, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 13h37

O diretor executivo da Fitch Brasil, Rafael Guedes, afirmou que as grandes reservas internacionais do Brasil são um dos fatores que justificam a manutenção do País no grau de investimento. Questionado se a possibilidade de o governo usá-las para intervenção no câmbio poderia enfraquecer esse pilar, ele disse não acreditar nisso. Nesta quinta-feira, 15, a Fitch rebaixou a nota brasileira, mas ainda manteve o selo de bom pagador. 

"As reservas do Brasil são um amortecedor gigantesco, é um fator extremamente positivo e tem sustentado o rating no grau de investimento. Não esperamos que o governo use as reservas. Eles têm sido claros que a intervenção no câmbio nunca é com o dólar em si, e sim com instrumentos liquidados em reais", afirmou.

Guedes comentou que as contas externas do Brasil devem melhorar este ano, mas ao mesmo tempo o rombo na conta corrente não é mais financiado 100% pelo investimento estrangeiro direto (IED), como acontecia até alguns anos atrás.

Crise política. Guedes ressaltou que a questão política  "demonstra a dificuldade que o governo está tendo em passar as medidas que são necessárias para restabelecer um equilíbrio macroeconômico e fiscal."

"A notícia má é a perspectiva negativa", comentou Guedes. "A perspectiva mostra que há chance maior do que 50% de o País ser rebaixado num período de até 24 meses", disse. E o rating sendo rebaixado resultaria, segundo ele, no grau especulativo do Brasil por duas agências de classificação, o que poderia levar o País a "perder elegibilidade para investidores institucionais."

Guedes destacou que os analistas de rating soberano "geralmente gostam de resolver de 12 a 18 meses", sobre uma reavaliação de nota de um país analisado. "O relógio começou a contar a partir de hoje. Em no máximo 12 meses terá que ocorrer outro comitê", apontou.

"A nota de hoje reflete nossa expectativa quanto à capacidade de pagamento que um investidor, alguém que esteja comprando título do Brasil, tenha seu investimento pago num período de até 5 anos", definiu. 

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