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Quilmes passa ao controle total brasileiro

A tradicional cervejeira Quilmes, do Grupo Quinsa, já está sob o controle total do Brasil. A passagem às mãos brasileiras ocorreu na terça-feira, quando a AmBev desembolsou US$ 1,25 bilhão em troca de 34,46% das ações que ainda permaneciam na posse do Grupo Bemberg, que controlou a Quilmes por 115 anos. Desta forma, a AmBev fica com 91,18% do pacote acionário. No entanto, levando em conta as ações com poder de voto, a AmBev passa a controlar 97,16% da Quinsa.A compra da Quilmes pela AmBev começou em 2002, quando a Argentina estava mergulhada na pior crise financeira, econômica e social de sua História. Na ocasião, ficou com 56,9% do pacote acionário, por US$ 600 milhões, metade do valor pago nesta semana pelo resto das ações. No ano passado, a Quilmes registrou um faturamento de US$ 800 milhões. O mercado da cerveja não pára de crescer na Argentina. Desde 1981 o mercado aumentou cinco vezes. O consumo per capita, atualmente, é de 37 litros per capita, um volume jamais antes alcançado. O mercado é dominado pela AmBev, que desde 1994 está presente na Argentina por meio da Brahma. No entanto, desde a compra da tradicional Quilmes, passou a controlar mais de 80% do consumo argentino.Consumo de vinho O consumo do vinho, simultaneamente, foi despencando. Embora ainda estejam entre os principais "bebedores" mundiais desse produto - acompanhados pelos italianos, espanhóis e franceses - os argentinos passaram de consumir 70 litros per capita em 1981 para 35 litros atualmente. No entanto, analistas não consideram que a cerveja foi a única responsável pela queda do consumo do vinho, já que esta redução também se deve a um considerável crescimento do consumo de refrigerantes. Além disso, os especialistas afirmam que a crescente influência da cultura americana - e a perda da presença da cultura européia, amante do vinho - entre os argentinos foi outro fator que proporcionou a aproximação dos consumidores locais à cerveja.Presença brasileira No meio da crise argentina, enquanto os capitais americanos e europeus olhavam com receio o turbulento país, empresas brasileiras e mexicanas - mais acostumadas aos altos e baixos das economias latino-americanas - decidiram arriscar-se e desembarcaram para adquirir o que restava de capitais nacionais. Desta forma, a Petrobrás comprou a maior parte do holding energético Pérez Companc; a Camargo Correa ficou com a companhia de cimento Loma Negra e a Friboi absorveu o maior frigorífico do país, o Swift.

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