Químicos preparam pauta de mudanças na CLT

Em meio a conflitos entre Força Sindical e CUT, os trabalhadores de quatro segmentos da área química preparam uma pauta de modificações nas leis trabalhistas, com base na flexibilização da CLT.A pauta será apresentada aos patrões dos 100 mil trabalhadores filiados à Força Sindical, por meio de 27 sindicatos no Estado de São Paulo. Na próxima quinta-feira, o Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos do Estado de São Paulo (Sinproquim) vai reunir patrões e trabalhadores para discutir a questão em um seminário.CUT e Força Sindical discordam inclusive sobre a representatividade de cada uma junto aos trabalhadores.A CUT afirma que representa 80% dos 250 mil trabalhadores dos segmentos químico industrial, farmacêutico, de plásticos e cosméticos filiados a oito sindicatos no Estado de São Paulo. A Força Sindical diz que a CUT reúne apenas 140 mil trabalhadores. Os outros 10 mil empregados são filiados a cinco sindicatos independentes da CUT e da Força.Inicialmente, a pauta de modificações feita pelos trabalhadores que aderirem à flexibilização servirá para oficializar as mudanças que já vêm sendo praticadas por acordo entre empresários e empregados. Entre eles estão a redução do horário de almoço e a diminuição da participação nos lucros e resultados das empresas (PLR)."Esta será a prioridade, e por enquanto não temos outros pontos para divulgar", informou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria Química e Farmacêutica do Estado de São Paulo, Danilo Pereira da Silva, que é vice-presidente da Força. As mudanças em São Paulo servirão de linha mestra para modificações em todo o País. Mas ainda não há data para apresentá-las aos patrões."Somos contra a flexibilização, porque já temos sérias dificuldades, como o desemprego. Não vamos entregar nossos direitos trabalhistas", avisa o presidente da Confederação Nacional dos Químicos, Edilson de Paula, da diretoria da CUT. "Como o acordo será por adesão, mesmo os sindicatos da CUT que quiserem negociar com os empresários, poderão fazê-lo", avalia Danilo Pereira da Silva.Neste domingo, os metalúrgicos ligados à Força aprovaram cinco modificações na CLT para a categoria. Elas dizem respeito às férias, 13º salário, licença paternidade, PLR e redução do horário de almoço. Esta foi a primeira categoria a aderir à flexibilização da C LT. Os químicos e os borracheiros serão as seguintes, informou a Força.O projeto de lei que permitirá a trabalhadores e empresários modificar a CLT conforme as necessidades apresentadas pela conjuntura econômica do País, está em regime de urgência urgentíssima para ser votado no Senado, até 26 de março. O projeto foi aprova do pela Câmara dos Deputados no ano passado.A Força Sindical acredita que, devido à crise entre o PSDB e o PFL, o projeto não será votado até o prazo e ficará sem nova data para ir ao plenário ainda neste ano. Por isso, mesmo que os trabalhadores negociem pautas com os setores produtivos, ela não poderá entrar em vigor em janeiro de 2003. Uma vez aprovada de forma geral, a Flexibilização da CLT passará a vigorar, e os detalhamentos feitos pelos setores da economia não terão que passar por votação no Congresso.

Agencia Estado,

18 de março de 2002 | 19h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.