Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Rabello toma posse no BNDES e diz que tratará JBS com 'rigor' e 'carinho'

Com genro preso na Lava Jato, economista sucede Maria Silvia Bastos Marques, que pediu demissão em meio a investigação sobre operações do banco com o frigorífico

Idiana Tomazelli, Mariana Sallowicz, Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2017 | 18h56

RIO - O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, tomou posse nesta quinta-feira, 1º, e afirmou que vai tratar o frigorífico JBS com o "rigor que o controlador merece" e com o "carinho que o empregado merece". Ele ressaltou que o banco possui "critérios rigorosíssimos".  

Após operações que somam R$ 8,1 bilhões, o BNDES possui cerca de 20% do capital da JBS. As operações são investigadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Operação Bullish, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Rabello de Castro descartou vender participações do banco na companhia. 

O economista sucede Maria Silvia Bastos Marques, que pediu demissão na semana passada em meio a um momento crítico vivido pelo banco de fomento. A Operação Bullish envolveu conduções coercitivas de funcionários, prática duramente criticada pela ex-presidente, e lançou suspeitas sobre os mecanismos adotados pelo banco na concessão de empréstimos. Além disso, Bruno Luz, genro de Rabello, foi preso em fevereiro no âmbito da Operação Lava Jato. 

O economista rebateu críticas à gestão anterior, que era alvo de fogo amigo até entre integrantes do governo. Rabello afirmou que não é verdade que Maria Silvia tenha retido o crédito da instituição de fomento e frisou que a grande queda dos desembolsos do BNDES se deu entre o fim das eleições de 2014 e junho de 2016, quando a executiva assumiu o cargo. "A estatística chega a ser escandalosamente política", disse Rabello de Castro.

Segundo o novo presidente do BNDES, Maria Silvia não pôde fazer a retomada por causa da fraca demanda por crédito para investir, mas agora a demanda já apresenta sinais de recuperação. Rabello de Castro frisou que o índice de novas solicitações ao banco é positivo e disse que a equipe técnica do BNDES é "extraordinária".

"É preciso recuperar DNA de fomento ao desenvolvimento", afirmou Rabello de Castro, completando que é preciso olhar onde o BNDES é mais necessário e talvez até onde seja mais arriscado.

Lava Jato. Ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rabello de Castro teve seu genro, Bruno Luz, preso numa das fases da Operação Lava Jato. Questionado, o executivo ressaltou que nunca manteve relações comerciais com ele e tratou do caso como uma "coincidência de parentesco", além de dizer que Luz é um "ótimo rapaz" e "excelente pai".

Rabello de Castro lamentou o fato de as prisões temporárias da Operação Lava Jato serem por longos períodos e disse que as suspeitas contra Luz têm de ser respondidas. 

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