Racionamento pode limitar expansão de crédito

O setor bancário brasileiro também não deve escapar dos impactos do racionamento de energia elétrica. A operação pode reduzir o ritmo de crescimento da economia, com efeito direto sobre a expansão do crédito das instituições. A preocupação do mercado com os apagões já começou, e os bancos passaram a rever as metas de expansão da carteira de empréstimos para o ano. O Bradesco, maior do setor privado, acredita que o aumento será de cerca de 25%, ante estimativa anterior de até 30%. "Vai depender muito de como a economia vai se comportar. O racionamento é uma situação inusitada", afirmou o vice-presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. O Unibanco também reduziu sua projeção, e já admite um crescimento para o crédito em torno de 20%. O banco baseia sua meta numa estimativa de elevação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 3,8% a 4% em 2001. O Itaú, por enquanto, mantém a meta de elevar a carteira em até 30%. Inadimplência pode aumentarPara o analista Paschoal Paione, da Fator Doria Atherino, ainda é cedo para estimar quanto os bancos deixarão de ganhar com a desaceleração da economia, já que as regras do racionamento ainda não foram definidas. Ele afirmou que o principal impacto será sobre a inadimplência. Para Paione, se o racionamento prejudicar a produção industrial, o impacto nos bancos será, principalmente, na carteira de pessoa jurídica e de capital de giro. Para o analista Fernando Aoad, gerente da HSBC Investment Bank Brasil, outra preocupação em relação ao setor bancário é sobre a qualidade dos empréstimos realizados. De acordo com ele, houve no segundo semestre do ano passado um "boom" de créditos, que começam a vencer neste ano. "A inadimplência, cujos indicadores já apontam crescimento, poderá levar a perdas significativas." Segundo Aoad, o racionamento de energia é uma variável que pode complicar a situação.

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