Racionamento pode terminar em abril

O racionamento de energia elétrica poderá terminar até o fim de abril, caso se confirmem as projeções mais otimistas dos técnicos do governo. Essa perspectiva pode se confirmar com o grande volume de chuvas dos últimos dias, que vem enchendo com mais rapidez os reservatórios das usinas hidrelétricas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Os membros da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), contudo, ainda preferem não fazer nenhuma previsão oficial sobre o tema. A norma é esperar pelo menos o mês de fevereiro, quando o comportamento das chuvas poderá ser mais bem avaliado.Projeções da Câmara afirmam que a demanda normal no Nordeste, que é considerada a região mais crítica, pode ser atendida caso os reservatórios nordestinos atinjam 34% de sua capacidade máxima em 30 de abril. Ontem os reservatórios da região alcançaram 20,2% da capacidade e existe a possibilidade de o nível chegar a 34,9% no fim de janeiro.Assim, o racionamento de energia no Nordeste poderia ser suspenso a partir de maio, caso as chuvas continuem abundantes na região e não haja nenhum atraso na instalação das usinas térmicas que estão sendo instaladas na área. Em outra previsão extrema, a GCE prevê que, sem a ajuda das térmicas, os reservatórios precisariam atingir 48% da capacidade para atender ao mercado.Segundo o ministro de Minas e Energia, José Jorge, as projeções foram feitas com base na pior hidrologia da história, que foi a ocorrida no ano passado. Mas ele lembra que os institutos meteorológicos estão prevendo chuvas superiores às de 2001. "Nós do setor elétrico temos de trabalhar pelo menos com a água na calha do rio", ponderou o ministro.Nas projeções do governo, a demanda do mercado por energia será atendida com uma oferta de apenas 93% da disponível antes do racionamento. Os técnicos acreditam que 7% de economia foi obtida mediante medidas de racionalização no uso da eletricidade, tornando-se um ganho definitivo.No Sudeste e Centro-Oeste, os lagos também já ultrapassaram os limites mínimos previstos pelo governo para os meses de fevereiro e março.Dados do ONS mostram que ontem as barragens das hidrelétricas nas duas regiões alcançaram 35,96% da capacidade máxima. A expectativa mais pessimista da GCE era de que os reservatórios chegariam a 35% somente em fevereiro e se manteriam neste nível no mês de março.Para início de janeiro, a expectativa era de 33% de volume de água nas barragens. De acordo com as previsões mais otimistas, os reservatórios deverão chegar em fevereiro com 41% da capacidade. Além das recentes chuvas, a economia de energia tem contribuído para aumentar o nível dos reservatórios. Segundo o ONS, foram gastos no Sudeste e no Centro-Oeste, de 1º a 7 de janeiro, 20.579 MW médios, para uma meta de consumo de energia de 23.500 MW médios. A economia acumulada do mês foi de 12,43% acima da meta.Em dezembro, desenhou-se um cenário otimista pelo qual o nível chegaria a 47% em abril - quando acaba o período de chuvas -, o que garantiria o abastecimento das duas regiões com as hidrelétricas e as térmicas convencionais. Caso o nível fique abaixo de 47%, será necessário acionar o gatilho e ligar as térmicas emergenciais que estão sendo contratadas. Estas usinas só são ligadas em último caso, pois sua energia é mais cara que a de outras fontes.O nível dos reservatórios ficaria abaixo de 37% em abril somente se houvesse uma seca mais forte do que as ocorridas nas últimas sete décadas, e neste caso poderia ser necessário um racionamento superior a 5%. No Nordeste, no melhor cenário se chegaria a abril com 43,5% de armazenamento, e no pior cenário com 25,1%. O procedimento será o mesmo da região Sudeste.O ONS deverá trabalhar para que os reservatórios cheguem ao fim do período de seca, em novembro de 2002, com 10% de sua capacidade no Sudeste/Centro-Oeste e a 6,4% no Nordeste. Este nível é considerado como o nível de segurança para o sistema.

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