Rádio digital fica para o próximo governo

Rádio digital fica para o próximo governo

Hélio Costa publicou portaria com diretrizes antes de deixar Comunicações, mas decisão ainda está longe

Gerusa Marques e Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2010 | 00h00

A definição da tecnologia de rádio digital a ser adotada pelo Brasil ficou para o governo que vem. Na quarta-feira, o Diário Oficial da União trouxe uma portaria que cria o Sistema Brasileiro de Rádio Digital (SBRD), e define diretrizes para a escolha de um padrão a ser adotado no País. Foi a última medida assinada por Hélio Costa antes de deixar o Ministério das Comunicações para concorrer ao governo de Minas Gerais.

O processo de escolha se arrasta desde 2005, quando as emissoras começaram a testar a tecnologia HD Radio, da americana Ibiquity. Naquele momento, havia um consenso dos radiodifusores em torno do sistema, que acabou sendo enfraquecido pelos maus resultados dos testes. Atualmente, as emissoras testam o sistema europeu Digital Radio Mondiale (DRM), que tem apresentado problemas semelhantes aos do americano.

André Barbosa Filho, assessor especial da Casa Civil, propõe a organização de um seminário em São Paulo, reunindo governo, radiodifusores e os detentores das tecnologias internacionais, para discutir o que pode ser feito para resolver os problemas técnicos encontrados.

"Existe até a possibilidade de fundir os dois sistemas, para criar uma tecnologia adequada às necessidades brasileiras", disse Barbosa, que, antes de ingressar no governo, foi professor de rádio por muitos anos.

Ele também afirmou que trabalha para conseguir recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, e do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), para serem criados grupos de pesquisa em rádio digital, a exemplo do que foi feito na época da TV digital. "Vale a pena esperar um ano para se ter isso", explicou Barbosa.

Na cerimônia de despedida preparada por funcionários do Ministério das Comunicações, na terça-feira, Costa disse que a principal exigência é para que seja adotado o mesmo sistema para as rádios AM e FM. "Não faz sentido (serem sistemas diferentes), porque se não for o mesmo sistema, vai precisar de dois rádios diferentes".

Outra determinação é para que a transmissão dos sistemas analógico e digital seja feita no mesmo canal já utilizado pelas emissoras. "Nós estamos dando o caminho para que as empresas, com seus técnicos e com o apoio valiosíssimo da Anatel e do ministério, possam concluir por um sistema que vai poder atender à realidade brasileira", afirmou.

A conclusão do governo, até agora, é de que nenhuma das tecnologias internacionais está pronta para ser usada. "O rádio digital se tornou um desafio mais difícil porque, infelizmente, ainda apresentava algumas deficiências técnicas que não conseguimos superar", afirmou. Segundo Costa, a solução desses problemas depende dos proprietários do sistema.

As emissoras já tinham optado pelo sistema dos Estados Unidos, pela qualidade na rádio FM. O sistema europeu chegou a ser cogitado para atender às rádios que operam em ondas curtas, principalmente na região Amazônica.

A decisão foi adiada porque os dois sistemas apresentam problemas no atendimento das rádios AM. "Dependemos dos proprietários dos sistemas para desenvolver instrumentos capazes de superar as dificuldades técnicas", disse.

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