Radiografia das urnas?

ANÁLISE: Fernando de Holanda Barbosa Filho*

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2014 | 02h01

A Pnad Contínua (IBGE) referente ao terceiro trimestre de 2014 mostra que o Brasil continua apresentando uma taxa de desemprego de 6,8%. Diferentemente do que mostra a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), não se observa uma saída forte de pessoas da População Economicamente Ativa (PEA), indicando que o movimento ocorre de forma significativa somente nas regiões metropolitanas cobertas pela PME, especialmente no Sul e Sudeste. No País todo, na comparação com o terceiro trimestre de 2013, houve crescimento de 1% da PEA. Ou seja, a força de trabalho continua expandindo. O crescimento da PEA é negativo na Região Sudeste (-0,4%), se mantém abaixo de 1% nas Regiões Sul (0,7%) e Centro-Oeste (0,9%) e acima de 3% nas Regiões Norte e Nordeste.

Outro aspecto interessante de se observar nos dados divulgados é a baixa taxa de desemprego nas diferentes regiões do País. Enquanto o desemprego permanece baixíssimo no Sul (4,2%), atinge 8,9% da Região Nordeste. No Centro-Oeste, registra 5,4% e 6,9% nas Regiões Norte e Sudeste.

O resultado agregado reforça a ideia de que a economia encontra-se a pleno emprego, mas existem indícios de desaceleração. As Regiões Sul e Sudeste mostram que o ritmo de geração de empregos encontra-se bastante fraco. Houve pequeno crescimento nos empregos de 0,6% no Sul e destruição de 0,3% dos postos de trabalho no Sudeste - na comparação com o mesmo trimestre de 2013. Na outra ponta, o mercado de trabalho das Regiões Norte e Nordeste mostra um excelente momento. A forte entrada de trabalhadores tem sido suprida por uma geração de postos de trabalho superior a 3% ante o terceiro tri de 2013, com crescimento de 3,6% no Nordeste e 3,8% no Norte.

Diante dos resultados, a Pnad Contínua joga luz sobre o melhor momento do mercado de trabalho nas Regiões Norte e Nordeste do Brasil e, de certa forma, ajuda a explicar (ainda que parcialmente) o desempenho acima da média da oposição nas eleições presidenciais de 2014 nas Regiões Sul e Sudeste e o forte desempenho do governo nas Regiões Norte e Nordeste. A oposição foi melhor do que a situação em locais onde a economia já mostra sinais de cansaço e o governo foi superior onde o mercado de trabalho ainda exibe a sua força.

* É pesquisador da FGV/Ibre

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