Marcos De Paula/Estadão
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Raízen, Ultra e Mubadala devem liderar disputa por refinarias da Petrobrás

Petroleira colocou no mercado as refinarias do Paraná, Rio de Grande do Sul e Bahia; segundo especialistas, venda de ativos deve ajudar a deixar o setor, dominado pela Petrobrás, mais fragmentado e competitivo

Cynthia Decloedt e Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2020 | 09h00

A Raízen, controlada pela Cosan, e o Grupo Ultra, dona dos postos Ipiranga, lideram a disputa pelas refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. Mas o desenho que está se formando indica que a Raízen está à frente na disputa pela Repar, entre as refinarias mais cobiçadas à venda da Petrobrás, apurou o Estadão/Broadcast. A Ultrapar, por sua vez, levaria a refinaria do Rio Grande do Sul, que se somaria às suas operações no Estado.

O fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, por sua vez, esteve de olho na Repar, mas está cotado para liderar à disputa na Bahia, onde a Petrobrás colocou à venda sua refinaria Landulfo Alves. O ativo é considerado tão atrativo quando a Repar, no Paraná, segundo fontes.

A Petrobrás deve receber as propostas vinculantes por Repar e Refap no próximo dia 10 de dezembro. O Estadão/Broadcast apurou que as propostas pela Repar, no Paraná, devem ficar em torno de US$ 3 bilhões, enquanto pela Refap, no Rio Grande do Sul, de US$ 2 bilhões.

O desfecho está se desenhando, acrescentam as fontes, pela ausência de outros players realmente interessados. Fontes afirmam que os chineses, incluindo a Sinopec, demonstraram não estar inclinados a fazer uma oferta atraente à Petrobrás por Repar e Refap, tampouco por Landulfo Alves. Segundo uma das fontes ouvidas, os chineses estão mais interessados em ativos de infraestrutura de petróleo, como gasodutos, e em operações de gás.

A Repar e a Refap são as primeiras refinarias na lista de oito das 13 que a Petrobrás decidiu vender como parte de um plano de desinvestimentos anunciado no ano passado. Gabriel Fonseca, analista da XP, defende que o processo é demorado, dada a sua complexidade, mas que há mercado para que todas as oito unidades sejam vendidas. "Há um déficit de capacidade de produção de derivados de petróleo no Brasil e, por isso, o interesse é grande nesse segmento”, diz.

Ao mesmo tempo, Fonseca enxerga uma oportunidade de garantir ao País expansão na capacidade de refino e, por consequência, a manutenção da oferta de derivados nas próximas décadas. Ele lembra que a Petrobrás tem o monopólio nesse serviço e a venda de tais ativos deixará o setor mais fragmentado, favorecendo a livre concorrência.

Fonseca lembra ainda que, dada a qualidade das refinarias à venda, a Glencore, da Suíca, que comprou a Ale Combustíveis, e a Vitol, da Holanda, que adquiriu a Rodoil, já mostraram interesse pela Repar e Refap.

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, diz ser esperado que a venda das duas refinarias do Sul do País renda cerca de US$ 5 bilhões à Petrobrás. Ele defende que chineses e indianos entrem no processo. Apesar da proposta vinculante pelas duas refinarias estar sendo apresentada agora, a expectativa é que a venda ocorra de fato até o fim do primeiro semestre do ano que vem. Procurados, as empresas e o fundo não comentaram.

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