Rajoy reforçará aposta no Brasil e na América Latina

Provável vencedor das eleições espanholas do próximo domingo define suas prioridades em política externa

MADRI, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h03

Diante da pior crise em mais de 30 anos, a Espanha transfere seu motor de crescimento para a América Latina e, em especial, ao Brasil. O provável vencedor nas eleições gerais de domingo, o conservador Mariano Rajoy, revelou em entrevista publicada ontem no jornal El País que a América Latina será sua "prioridade" em política externa. Já o setor privado espanhol é explícito e aposta na região para compensar os pesados prejuízos acumulados pela crise desde 2008.

"Vou dar grande prioridade para a Ibero-América", afirmou Rajoy, que fez duras críticas à política externa do atual governo. Segundo ele, a atenção dada à região não foi suficiente e lembra que hoje Portugal exporta mais à América Latina que a Espanha. A Espanha ainda destina apenas 7% de suas exportações aos países do Brics. "Podemos pertencer à UE e ao mesmo tempo ter uma relação mais intensa com a América Latina."

Rajoy não descarta nem mesmo escolher a América Latina como destino de sua primeira viagem internacional na condição de presidente, quebrando uma tradição de chefes de governo de visitar países europeus ou o Marrocos, vizinho ao sul.

"A Espanha e Rajoy não têm escolha. Só podem mesmo apostar no Brasil e na América Latina", afirma Cassio de Almeida Romano, vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Espanha. "Hoje, se o Brasil espirrar, a Espanha pega uma pneumonia muito séria." Segundo ele, algumas das tradicionais empresas espanholas dependem de seus resultados no Brasil para equilibrar suas contas.

No setor privado, a percepção de que a América Latina e o Brasil são a solução é explícito. Reunidos em Madri para debater as oportunidades de negócios na América Latina, os CEOs das principais empresas espanholas não hesitam em indicar mercados da região como seus "botes salva-vidas".

"A América Latina é um continente determinante para a economia espanhola", afirmou Francisco Luzon, responsável pelo Banco Santander na América Latina. Neste ano, a região vai crescer 4,7%, mais que o dobro da UE e quase quatro vezes mais que a Espanha. Hoje, o Brasil responde por 27% dos lucros globais do Santander, duas vezes mais que o obtido com a Espanha.

César Alierta, presidente da Telefónica, tem a mesma opinião e sua empresa já vê os resultados. "A America latina é nosso principal motor de crescimento", diz o executivo, que prevê uma "década espetacular" para a região. Segundo ele, 45% dos resultados da empresa e 65% de seus clientes já vêm da América Latina. Isso depois de investir 108 bilhões em 20 anos. Hoje, um a cada dez celulares no mundo estão na América Latina.

Para o grupo Endesa, investir hoje na região é garantia de lucros. Borja Prado, presidente da empresa, lembra que o Banco Mundial prevê que os governos latino-americanos vão gastar em média 20 bilhões por ano em energia. / J.C.

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