Ramalho propõe elevação das exportações para a China

Os produtos brasileiros respondem por apenas 1% de tudo o que a China importa, disse nesta terça-feira o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ivan Ramalho. A China compra cerca de US$ 660 bilhões ao ano, sendo que as vendas brasileiras para lá totalizam apenas US$ 6,8 bilhões. "Devemos elevar as exportações brasileiras", disse ele, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). A declaração de Ramalho foi uma resposta às críticas dos empresários da indústria, que demonstraram preocupação com o nível de comércio entre os dois países. O representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Domingos Mosca, disse que a qualidade das exportações brasileiras para o mercado chinês deixa a desejar. Ele explicou que, enquanto a China inunda o mercado interno brasileiro com produtos manufaturados, nossa exportação continua concentrada em minérios e soja. Ramalho respondeu que cabe à indústria brasileira reverter esse quadro. Além de criticar o baixo nível de transparência do mercado chinês e o elevado grau de interferência do governo na economia, Mosca também reclamou do fluxo de comércio, que classificou de desequilibrado. No comércio entre os dois países, a China leva vantagem e fecha o balanço com um superávit de US$ 4 bilhões.Mesmo com a defesa feita por Ramalho, de que eventuais restrições a produtos chineses devem ser tratados caso a caso e que para os setores mais problemáticos, como o de têxteis e de confecções já existem salvaguardas, os representantes do setor industrial insistiram em dizer para os parlamentares que a competição da China é "especial". O Brasil, segundo Domingos Mosca, não pode abrir mão de suas normas trabalhistas, previdenciárias e comerciais. "A China paga salários muito baixos, impõe jornadas de 12 a 14 horas e não tem uma previdência social universal como a nossa. Não queremos concorrer assim. Seria um retrocesso", declarou.O gerente executivo da Unidade de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Frederico Álvares, afirmou que embora a China tenha aumentado sua participação nas trocas comerciais com o Brasil e outros países, ela ainda não é uma economia de mercado. Para o consultor a China não obedece às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

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