Ranking AE/Ibmec de 2000 destaca Atrium

As chamadas ações de segunda e terceira linha - com baixo volume de negócios na Bolsa de Valores de São Paulo - garantiram dois fundos da Atrium Corretora entre os dez melhores de 2000. É o que mostra o ranking do período elaborado pelo Ibmec Educacional para a Agência Estado. O fundo Atrium FIA ocupou a terceira colocação geral no estudo, mas teve o melhor desempenho entre os produtos abertos ao público. Outro produto da corretora, o Atrium AI, ficou em nono lugar. No topo da tabela, dois fundos fechados: o BMG BSA e o Icatu FES, em primeiro e segundo, respectivamente. O Ranking AE/Ibmec, coordenado pelo professor Antonio Zoratto Sanvicente, analisou 380 fundos de ações com patrimônio superior a R$ 1 milhão. A classificação foi feita pelo Índice de Modigliani, que pondera o nível de rentabilidade com o risco de perda. Dessa forma, pelo Índice Modigliani dois fundos que apresentam mesmo nível de rentabilidade têm classificações diferentes de acordo com o risco que representam para o investidor. O fundo que apresentar menor risco estará também melhor classificado. Marco Antonio Fiori, diretor da Atrium Corretora, explicou que a escolha por papéis "alternativos" tem como horizonte um retorno maior no longo prazo. Tal política, disse, orientou a aposta em ações da Eberle, fabricante de motores elétricos. Segundo ele, a empresa mostrou-se atraente após a análise de que seu valor de mercado estava muito baixo em relação ao faturamento A questão, posteriormente, seria determinante para uma alta superior a 2.500% das ações da Eberle em 2000, na qual os fundos pegaram carona. A companhia aderiu ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis) e alterou normas contábeis que fizeram surgir, no balanço de 1999, um ganho extraordinário de R$ 73,755 milhões. O procedimento gerou forte polêmica no mercado, levando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a regular o assunto. O Atrium FIA subiu 107,80% no ano passado e o Atrium AI, 49,10%. No mesmo intervalo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 10,72%. "O impacto do Refis na Eberle acabou favorecendo o fundo, embora a análise inicial tenha se baseado nos fundamentos de uma empresa centenária, que trabalhava em dois turnos." Fiori destacou que a seleção de ativos é feita em equipe, que continua apostando no potencial da Eberle. Segundo ele, os papéis da empresa representam hoje cerca de 40% do patrimônio de R$ 5,2 milhões do Atrium FIA. A segunda maior participação no portfólio é ocupada pela Companhia Energética do Maranhão (Cemar), com 20%. No outro produto, o Atrium AI, a principal característica é a escolha de ações de empresas incentivadas pelo governo. Os papéis - como os da fabricante de azulejos Eliane - são adquiridos em leilões do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) e da Amazônia (Finam). Segundo Fiori, o Atrium AI é o primeiro fundo dessa natureza autorizado pela CVM, em 1996. Obrigatoriamente, 70% da carteira precisa ser alocada em empresas incentivadas e o restante pode ser composto por ações de companhias abertas. Do patrimônio de R$ 4,7 milhões, Eberle responde por 16%.

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